Curitiba - O setor produtivo paranaense considerou positiva a redução da taxa básica de juros (de 12,5% para 12%) realizada pelo Comitê de Política Monetária (Copom), na quarta-feira, e estimaram que os reflexos virão dentro de três a seis meses. Representantes da indústria e do agronegócio avaliaram ser mais importante, agora, controlar a inflação.
''Qualquer queda da taxa de juros é importante, desde que a inflação permaneça sob controle'', disse o economista da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), Roberto Zurcher. Ele lembrou que a meta de inflação para este ano é de 4,5%, com variação máxima de dois pontos para mais ou para menos. No entanto, o mercado já aponta uma inflação de 7% em 2011. ''A inflação traz problemas para o planejamento das atividades das indústrias. E ainda é o principal corroedor dos salários, ou seja, provoca perdas nos aumentos reais dos trabalhadores. No longo prazo, a inflação provoca queda de demanda.''
Por isso, Zurcher comentou que o corte nos juros deve trazer resultados pontuais como: diminuição dos encargos da dívida do governo; redução dos custos dos investimentos e do Custo-Brasil; mais facilidade para o governo ter caixa para investimentos. Segundo ele, no momento, o que provoca desindustrialização é a substituição de fornecedores nacionais por estrangeiros, por conta do pelo câmbio. Ele disse ainda que pesquisa de sondagem industrial da Fiep mostrou que 90% das indústrias realizam investimentos com recursos próprios por causa do alto custo dos financiamentos, que têm juros muito caros.
Zurcher observou que o mercado ''ficou surpreso com o corte dos juros''. ''Isso era esperado mais para frente'', disse. Para ele, o Copom tomou a decisão apostando no mercado interno e se preparando para a crise americana.
Para o presidente da Fiep, Rodrigo da Rocha Loures, o País precisa adotar medidas urgentes para estancar o processo de desindustrialização, que vem se acentuando por conta de fatores como altas taxas de juros, câmbio desfavorável, dificuldade de acesso a crédito, elevada carga tributária e ausência de investimentos em infraestrutura.
O assessor técnico-econômico da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), Carlos Augusto Albuquerque, avaliou a medida de corte nos juros como prematura. ''Primeiro temos que atacar a inflação. O governo se precipitou'', disse, lembrando que a pressão inflacionária é ruim para a agricultura. Segundo ele, a decisão do Copom não terá reflexos nos preços das commodities.

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