Rio de Janeiro - O resultado do IGP-10, que avançou 1,11% em outubro, sinaliza que os Índices Gerais de Preços (IGPs) estão em desaceleração, segundo o superintendente adjunto de inflação da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Salomão Quadros. Para ele, grande parte do efeito da desvalorização do câmbio já foi repassada aos preços e não deve gerar novas pressões neste e no próximo mês. As exceções seriam os preços ao consumidor, que devem seguir incorporando o novo valor do dólar com certa defasagem.
A trajetória de desaceleração pode ser acompanhada ao comparar o IGP-M e o IGP-DI de setembro, que apresentaram taxas de 1,5% e 1,36%, nessa ordem. "O mês de outubro deve trazer IGPs menores, mesmo que a desaceleração não prossiga nesse ritmo", disse Quadros. Ainda assim, o IGP-10 alcançou a maior taxa mensal desde agosto de 2012, quando havia chegado a 1,59%.
O que favorece essa visão é a maior estabilidade no mercado internacional em termos de preço, que contrabalançam os riscos sazonais presentes na economia brasileira. A soja, por exemplo, trouxe certo alívio em outubro, com alta de 3,26%, ante valorização de 6,84% no IGP-10 de setembro. A confirmação de uma boa safra nos Estados Unidos e a formação de estoques favoreceu o recuo. "O panorama das commodities no mercado internacional diminui risco de perturbação mais forte no IGP este ano", observou Quadros.
Já os alimentos in natura intensificaram a queda para -4,87%, contra -4,49% em setembro. Mas o bom momento pode não durar. "É da natureza desse grupo de produtos viradas bruscas intensas", advertiu Quadros.
Na margem, o IGP-10 saiu de uma taxa de 1,05% em setembro, o que mostra leve aceleração. O movimento foi influenciado, principalmente, pela subida das carnes em geral no Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA). Só a carne bovina teve alta de 6,61% em outubro ante -1,57% na apuração anterior.

Imagem ilustrativa da imagem Efeito do câmbio nos preços pode estar chegando ao fim
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