Agência Estado
De São Paulo
Ninguém deve entusiasmar-se e sair às compras, entrar no vermelho no saldo bancário ou contrair empréstimo por conta da redução das taxas de juros, em decorrência das medidas anunciadas pelo governo na semana passada. Segundo Miguel José de Oliveira Ribeiro, vice-presidente da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), as taxas de juros no crédito direto ao consumidor, no empréstimo pessoal, cartão de crédito e no cheque especial continuarão elevadas. ‘‘No cheque especial, por exemplo, os juros anuais deverão cair de 241,98% para 228,53%, um nível exorbitante se forem considerados os juros básicos de 19% ao ano.’’
Segundo estudos da Anefac, a taxa média cobrada no mercado cairá de 8,75% ao mês para 8,38%, uma redução de apenas 4,23%. De acordo com Ribeiro, a única medida que poderá ter algum impacto sobre as taxas cobradas pelas instituições é a redução do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) de 6% para 1,5% ao ano no financiamento para pessoas físicas. ‘‘A diminuição do IOF vai promover uma redução nos encargos financeiros do financiamento, mas não na taxa de juros propriamente dita.’’
Mesmo assim, a queda será inexpressiva. Para demonstrar isso, Ribeiro cita como exemplo a compra de uma geladeira em 12 meses, com preço à vista de R$ 800,00, pelo crédito direto ao consumidor. Pela taxa média de 7,88%, em vigor no comércio até setembro, a prestação será de R$ 105,50 e o custo final ficará em R$ 1.266,00. Pela nova taxa média de 7,51%, que deverá vigorar no comércio a partir desta semana, a prestação cairá para R$ 103,48 e o custo total, para R$ 1.241,76. Uma redução de apenas R$ 2,02 na mensalidade e de R$ 24,24 no total do financiamento. Por isso, a melhor opção para o consumidor é, se possível, evitar compras financiadas. ‘‘É a única forma de forçar a queda dos juros.’’
No segmento de automóveis, o impacto poderá ser maior nas taxas de juros cobradas no financiamento de carros usados. Segundo Antônio Lang Jr., da Savena Veículos, as taxas atuais de 3,5% ao mês tenderão a cair para algo em torno de 2,6%. No financiamento de carros novos, a previsão é que os juros caiam de 2,5% ao mês, em média, para cerca de 1,6%. Essa redução no crédito direto no financiamento de veículos poderá ter reflexo nas operações de leasing.

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