A Argentina voltou a causar intranquilidade no mercado doméstico de câmbio ontem à tarde, motivando tesourarias de bancos, inclusive instituições estrangeiras sediadas na Argentina, a comprar dólar comercial para hedge. Por volta das 16 horas, o comercial atingiu a máxima do dia, cotado na venda a R$ 1,972, alta de 0,87%, impulsionado por rumores sobre pacote econômico na Argentina, avanço de até 24% da taxa over e desvalorização de 9,5% do peso frente ao dólar no mercado futuro.
O tombo de até 4,30% da Nasdaq ocorrido simultaneamente à boataria sobre a Argentina ajudou a piorar o humor do mercado. ‘‘A Argentina está indo para o vinagre, a situação é grave e, por isso, ninguém quer vender dólar aqui e não há mais limite para o avanço das cotações’’, comentou um experiente analista de câmbio. No encerramento dos negócios, o dólar comercial cedeu um pouco na venda para R$ 1,968, alta de 0,66% sobre o resultado de anteontem. Neste mês, até o momento, a moeda já valorizou-se 3,52% frente ao real.
Analistas comentaram que a eleição presidencial nos EUA e o comportamento do petróleo no mercado internacional não afetaram os negócios com dólar ontem. Em Nova York, o barril de petróleo para liquidação em dezembro na Nymex caiu 16 centavos, para US$ 33,24.
A tensão do mercado financeiro com a situação da Argentina parece não ter fim. Operadores não vêem o menor horizonte de calma para o mercado, a menos que algo muito importante aconteça no país vizinho, especialmente um pacote financeiro multilateral que garanta o financiamento das contas do governo no ano que vem.
Tantas notícias negativas fizeram disparar o dólar no mercado brasileiro e os juros futuros acompanharam. Na BM&F, o contrato de DI para 1º de julho (o mais negociado) fechou o dia projetando inéditos 18,55% de juros ao ano, de ontem ao vencimento, ante 18,13% do fechamento de anteontem. No pior momento, chegou a apontar taxa de 18,67%. O contrato para abril fechou com 18,05%, ante 17,73% da véspera.
A Bovespa até exibiu uma resistência admirável. Fechou em queda de 2,08%, com volume financeiro de R$ 585 milhões. A aceleração do movimento de baixa aconteceu na última meia hora dos negócios, quando a Nasdaq ameaçava perder o chão novamente. (Silvana Rocha, Marisa Castellani e Márcia Pinheiro)

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