Educação precisa avançar 50% para ampliar renda
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domingo, 13 de outubro de 2013
Fábio Galiotto<br>Reportagem Local 
O trabalhador brasileiro precisa passar dos atuais 7,9 anos em média na escola para 15 anos até 2030, caso o País queira entrar em processo de crescimento econômico sustentável e abandonar os "pibinhos". Depois de garantir amplo acesso da população à carteira assinada, a economia entrou em processo de estagnação porque a produtividade dos empregos criados, principalmente no comércio e em serviços, é menor do que na indústria, por exemplo. Para reverter o quadro, especialistas dizem que é preciso mais do que dobrar a média do avanço da escolaridade ao ano, o que somente ocorrerá com investimentos maciços na educação.
Na comparação entre 2003 e 2012, o número de anos na escola do brasileiro foi de 6,7 para 7,9, conforme o Ministério da Fazenda. A média anual de avanço foi de 2%, pouco para se aproximar em 2030 do nível de países como Finlândia, Suécia, Coreia do Sul e Japão. Por isso, o economista Luciano DAgostini, integrante do Grupo Macroeconomia Estruturalista do Desenvolvimento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), sugere que ocorram investimentos no setor para elevar a quantidade de anos na escola do brasileiro em 4,5% ao ano. "Se continuar em 2%, vai dobrar a escolaridade apenas depois de 2050 anos", afirma.
No mesmo período, os recursos em educação passaram de 4,6% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional para 6,1%, informa a Fazenda. Apesar dos avanços, a classe empresarial passou a criticar a falta de mão de obra especializada e a indústria viveu momentos de queda na produtividade. O que mostra, para DAgostini,que a escolaridade e a qualificação ainda são baixas. "Para repetir o que fizeram Japão e Coreia, quando deram um salto econômico em período curto, tem de investir cerca de 10% do PIB em educação."
Professora da Universidade Estadual de Londrina (UEL) com doutorado em economia do trabalho, Katy Maia conta que a indústria nacional ainda não atingiu o máximo da capacidade de produção, então há espaço para crescer. Porém, acredita que a visão mais comum é a de buscar investimentos com retorno imediato. "A partir da educação, aumenta-se a qualidade, a concorrência e se geram mais inovações, tudo pelo capital humano."
DAgostini diz que a população está em processo de envelhecimento e, se mantiver a baixa produtividade no trabalho, jamais atenderá os objetivos de aumentar o PIB per capita, com melhor distribuição de renda e bem-estar social similar aos de países desenvolvidos. Ele explica que não há risco de profissionais mais qualificados ficarem fora do mercado, porque a tendência é que apareçam mais empreendedores, com consequente criação de vagas de trabalho com valor agregado. "Quando a escolaridade é maior, a própria população gera novas tecnologias e empregos."
O professor de economia Joilson Dias, da Universidade Estadual de Maringá, diz que o investimento em educação tem maior importância do que em outras áreas. "A escolaridade supera qualquer outra variável, porque gera uma melhoria de norte a sul." Para o professor da UEM, o ganho não é apenas salarial, mas em desenvolvimento humano. "Quando o País passa a ter maior escolaridade, existem ganhos de produtividade, sociais e até de saúde, porque a pessoa é capaz de seguir uma conduta mais adequada".



