Alunos do Colégio Maxi em aula de educação financeira
Alunos do Colégio Maxi em aula de educação financeira | Foto: Divulgação/Maxi



As crianças que têm educação financeira nas escolas influenciam os hábitos de consumo dos pais. Essa foi a constatação da 1ª Pesquisa Nacional de Educação Financeira nas Escolas realizada pela Abefin (Associação Brasileira dos Educadores Financeiros), em parceria com o Instituto Axxus e o Neit (Núcleo de Economia Industrial e da Tecnologia) do Instituto de Economia da Unicamp.

A pesquisa ouviu 750 pais de alunos de escolas com e sem educação financeiras de São Paulo, Rio de Janeiro, Goiânia (GO), Recife (PE) e Vitória (ES). Um dos dados mostra que as famílias de crianças com aprendizado financeiro estão preparadas para revés econômicos. Vinte cinco por cento dos pais conseguiria manter seu padrão de vida, caso perdesse a renda mensal. No caso, das famílias de alunos sem educação financeira esse percentual seria de apenas 3%.

Em 33% dos casos, as crianças educadas financeiramente conhecem parcialmente a situação da família, enquanto 67% conhecem totalmente as limitações. Por outro lado, entre as crianças não educadas, 43% não conhecem nada da situação, 51% conhecem parcialmente e apenas 6% conhecem totalmente.

Além disso, enquanto 98% dos alunos com educação financeira se reúnem com a família para conversar sobre dinheiro, apenas 33% dos que não têm fazem o mesmo.

"Os dados evidenciam o quanto o contato com o tema melhora a situação financeira das famílias e gera maior diálogo em casa, resultando maior compreensão dos filhos sobre a situação que a família atravessa", afirmou Reinaldo Domingos, presidente da Abefin e da DSOP Educação Financeira.
As crianças com aprendizado lidam de forma diferente com o dinheiro. Em 81% dos casos, elas ganham parte do que recebem de mesada e guardam outra parte para os sonhos e 19% guardam tudo. Por outro lado, nas famílias sem educação financeira, 15% dos pais não sabem como os filhos gastam e 66% afirmam que os pequenos gastam seu dinheiro rapidamente, enquanto apenas 11% gastam apenas uma parte e 7% gastam tudo.
De acordo com Domingos, a cultura atual incentiva a criança ao consumo e sem a noção de poupança. Esse padrão de comportamento continua ao longo da sua vida adulta. "Ela aprendeu a gastar, e quando entra no mercado de trabalho, continua com esse comportamento e como sempre pediu dinheiro aos pais, passa a pedir ao banco, ao cartão de crédito. Como ela gasta tudo ficará inadimplente. Por isso, o aprendizado inicial é tão importante", enfatizou o presidente da Abefin.

O resultado da pesquisa vem validar o programa Educação Financeira nas escolas, desenvolvido pela DSOP em mais de 2.000 instituições de ensino no País. "Ainda estamos engatinhando na mudança da cultura financeira. Mas já plantamos uma semente", comentou Domingos.

Imagem ilustrativa da imagem Educação financeira em sala de aula



MULTIPLICADORES
"Essa pesquisa mostrou que os pais aprendem por tabela", disse Domingos. O educador ensina que os pais precisam discutir o orçamento com os filhos, traçar sonhos e metas para atingi-los. "O eixo do sonho é o que vai motivar a família", afirmou. Ele enfatiza que, entre 30% a 40% do que consumimos são excessos. São gastos com mercado, energia elétrica, água, vestuário. Esses excessos devem ser canalizado para os sonhos.

O educador financeiro José Vignoli, da SPC Brasil, faz um paralelo entre a educação financeira e os programas de escovação de dente das escolas. "Muitas vezes as crianças questionam os pais porque eles não escovam os dentes. O mesmo vai acontecer com a educação financeira. Recebendo a informação a criança vai questionar algumas atitudes de consumo dos pais. Isso é importante para o futuro dela e um incentivo e provação para as famílias", disse.

Aprendendo matemática com situações cotidianas

Segundo o educador financeiro da SPC Brasil José Vignoli, o assunto dinheiro deve ser discutido com a criança a partir do momento que ela demonstrar vontade de consumir. Deve-se tratar com os pequenos questões como mesada, poupança, o que pode e o que não pode gastar, como evitar a influência dos outros.

Em sala de aula, o assunto pode ser tratado com situações do cotidiano da criança. A professora de matemática do 5º ano do ensino fundamental do Colégio Maxi, Vanessa Garcia Shiinoki, alia o conteúdo da disciplina com a educação financeira.

Ela trabalha no último bimestre os números decimais com noções de dinheiro. Para entender de porcentagem, por exemplo, uma das atividades já proposta por ela foi a confecção de panfletos com ofertas de produtos.

"A educação financeira inicia com o processo da mesada, com o dinheiro que a criança ganha em forma de presente e dentro da escola, com a matemática, ela aprende como lidar com essa situação, principalmente que não é só gastar e, sim, planejar", comentou a professora.

O aprendizado financeiro também é abordado dentro do programa Líder em Mim, que utiliza como base o livro "Os 7 hábitos das pessoas altamente eficazes", de Franklin Covey. Segundo Vanessa, uma das propostas para discutir o hábito seis, que procura criar uma sinergia a partir do conceito de que "Juntos é melhor", é montar uma barraca de frutas, em que os alunos precificam o valor de cada produto. "O programa trabalha muito com o hábito de começar as coisas com objetivos e como conseguir atingir as metas", disse Vanessa.

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