Educação financeira começa na infância
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quarta-feira, 14 de fevereiro de 2007
Andréa Bertoldi<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Com os apelos persuasivos da publicidade e em uma sociedade cada vez mais consumista não é uma tarefa fácil para os pais ensinarem o valor do dinheiro para os filhos. Os especialistas na área de educação financeira alertam que a ''lição'' pode começar bem cedo, a partir dos três anos de idade. Outro impasse que os pais enfrentam é oferecer ou não mesada para os filhos.
O economista e vice-presidente de finanças do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças (Ibef), Luiz Afonso Cerqueira, disse que a criança pode começar a aprender como valorizar o dinheiro a partir dos 3 anos de idade. A especialista em educação financeira, Cássia D'Aquino Filocre, explica que uma a criança, a partir desta fase, pode ficar responsável por verificar se um item simples está faltando em casa como sabonete ou pasta de dente e avisar quando o produto acabar no armário. ''Com isso, a criança começa a compreender que o uso do dinheiro exige racionalidade'', justifica.
Cerqueira defende que a criança tenha um cofrinho. Os pais podem abri-lo periodicamente junto com o filho mostrando os diferentes tamanhos das moedas, contá-las e apontar o que dá para comprar com aquela quantia. Outra situação que pode ajudar os pais na educação dos filhos é levá-los ao supermercado e começar a apresentar noções de caro e barato. ''Os pais podem fazer comparações com um iogurte e um chocolate que tenham o mesmo valor e mostrar que o iogurte a criança vai comer de uma única vez e o chocolate pode ser consumido em pedacinhos'', exemplifica Cerqueira.
Para ele, levar a criança ao supermercado e fazê-la entender a relação da troca do dinheiro pelo produto é um bom exercício. ''Assim, ela começa a verificar que, muitas vezes, para ter um produto mais caro, ela precisa abrir mão de outros. A criança percebe que a aquisição do objeto de desejo não depende dos pais, mas do dinheiro que ela consegue manter em mãos'', afirma.
Aos 6 ou 7 anos pode ser introduzida a ''semanada'' e não a mesada. Isso porque, com esta idade, a criança não tem uma noção exata de temporalidade. O valor, segundo ele, deve ser estabelecido pelos hábitos e posses da família. ''Quando sobrar dinheiro, os pais devem incentivar a criança a guardar. A semanada com valor fixo disciplina a criança'', disse.
A partir dos 11 anos, quando a criança tem uma noção mais clara de tempo, os pais podem adotar a mesada. Caso o filho gaste todo o valor recebido em um final de semana, os pais não devem repor o dinheiro. Uma saída seria dar um ''adiantamento'' que seria descontado do próximo mês. Nesta fase, os pais também podem ensinar os filhos a fazerem planilhas simples. Toda vez que o dinheiro sai do bolso, o aprendiz anota em sua tabelinha o que foi comprado, quanto foi gasto e qual o saldo após a compra.
Ele recomenda que os pais não digam aos filhos quanto ganham de salário por mês para que as crianças não se comparem com outros colegas. Também não se deve ''pagar'' por serviços domésticos ou boas notas na escola nem prometer presentes para a criança ser aprovada de ano no colégio. A criança também deve receber presentes apenas nas datas comemorativas. Fazer do dinheiro uma recompensa para tarefas cotidianas, como arrumar a cama ou ajudar com a louça não é recomendado. ''Isso não é saudável. Essas tarefas fazem parte da educação básica. Devem ser compartilhadas e trocadas por carinho e elogios e não por dinheiro'', disse.
Outra dica, é estimular a criança a se desfazer de artigos velhos, à medida que for adquirindo novos. Desta forma, ela vai se acostumar a avaliar se realmente está precisando do que pretende comprar.


