Educação é o maior problema, diz FGV
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terça-feira, 29 de julho de 1997
Agência Estado Rio de Janeiro 
O principal problema de longo prazo da economia brasileira é o baixo grau de educação da população brasileira, segundo o Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getúlio Vargas (FGV), em sua Carta do Ibre que será veiculada na edição de agosto da revista Conjuntura Econômica. O economista do Ibre Lauro Vieira de Faria diz que, embora os indicadores educacionais do País tenham melhorado nos últimos 20 anos, não avançaram o suficiente para tornar sustentável qualquer tentativa consistente de crescimento do País.
A taxa de analfabetismo no Brasil diminuiu de 24% em 1976 para 17% em 1995, o que representa uma redução de 29,2%. Este resultado, segundo Faria, seria para ser comemorado, caso não se verificasse também que países em desenvolvimento como o Brasil conseguiram uma diminuição muito superior.
O México, por exemplo, tinha uma taxa de 18% e conseguiu baixá-la para 8%, ou 55,5% a menos no mesmo período. Na Tailândia, a taxa caiu de 38% para 8,5%, ou seja, recuou 77,6%. Na média, os países emergentes conseguiram encolher suas taxas de analfabetismo em 45,7%, portanto, obtiveram resultados muito melhores do que os do Brasil.
O economista lembra que a fonte básica de riqueza das nações, hoje, são os aumentos de produtividade - que não podem ser gerados com uma mão-de-obra de baixo nível de escolaridade primária e secundária. Conforme assinala, as políticas macroeconômicas atuais dependem da modernização da economia, pela absorção de capitais estrangeiros. E sem uma população com bom nível de educação é muito difícil incorporar novas tecnologias de automação e novos métodos de organização de trabalho.
Conforme estudo de um outro economista da FGV, Pedro Ferreira, o problema da educação não está exatamente na falta de recursos orçamentários, mas sim na destinação equivocada do dinheiro: a maior parte vai para as universidades, enquanto o ensino básico recebe muito menos. Faria concorda e acrescenta que, nos anos 90, de 70% a 80% dos recursos federais para a educação foram para as universidades, suprindo um contingente estimado em 400 mil estudantes. Já a escola primária contou, em média, com 25% para 30 milhões de alunos.


