Educação ambiental começa desde cedo e em casa
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sexta-feira, 29 de junho de 2007
Lola Felix<br>Agência Estado 
São Paulo - O engajado Lucas Couto, 9 anos, estudante do Colégio Elvira Brandão, em São Paulo, não espera o futuro chegar para dar sua contribuição para o bem-estar do planeta. Depois de o colégio ter implementado um projeto de conscientização sobre o meio ambiente, Lucas criou coragem e sugeriu à síndica do prédio onde mora que fizessem coleta seletiva do lixo. O plano ainda não se concretizou por causa de algumas burocracias. Lucas, a mãe e a síndica negociam o recolhimento do lixo com algumas empresas de reciclagem. Em breve, outras crianças do prédio serão escaladas para conscientizar todos os moradores sobre a importância da ação. Enquanto isso, Lucas se sente importante por ter sido levado a sério e ter feito diferença.
A educação para o meio ambiente deve começar desde os primeiros anos. Coordenadora pedagógica do Elvira Brandão, Maria Lúcia Severo Leite diz que as crianças aprendem melhor com os bons exemplos. ''Não adianta falar que o certo é escovar os dentes com a torneira fechada. É preciso que os pais escovem os dentes com a torneira fechada'', explica Maria Lúcia.
Gerações recentes, segundo a coordenadora, estão mais cuidadosas com a natureza. Não é raro a criança receber as lições na escola e educar - ou até mesmo dar algumas broncas - nos pais em casa.
Lucas, por exemplo, não se limita a elaborar seu projeto de coleta seletiva do lixo. Quando a mãe, Cristiane Leão, de 32 anos, demora um pouco no banho, ele começa a bater na porta do banheiro para chamar a atenção dela. ''Lucas é do tipo que quer salvar o mundo'', admite Cristiane, que também se considera defensora do meio ambiente.
Para Maria Lúcia, o ideal é passar os conceitos ecologicamente corretos no ambiente onde as ações são praticadas. Na praia, por exemplo, é preciso mostrar que o lixo deve ir para o lixo. Para mostrar que a água não deve ser desperdiçada, é interessante escovar os dentes ao lado da criança. A lição se torna mais fácil.
A construção de um cidadão ecologicamente correto também depende da escola. Coordenadora do Projeto Agenda 21 - baseado no programa de ação resultante da Eco-92 que pregava a adoção do desenvolvimento sustentável - da Escola Stance Dual, Débora Moreira acha que a conscientização dos jovens depende do lugar onde eles são educados. ''Eles podem levar essa conscientização para a família e para as empresas onde irão trabalhar. E certamente irão fazer de forma consciente, saberão do que estão falando'', defende Débora.
Gerações anteriores não foram educadas para a conscientização, mas ambientalistas desconfiam que o planeta ainda tem jeito. As crianças, pelo jeito, têm certeza.


