Ednelson Alves - Conexão Miami
As autoridades dos Estados Unidos retornaram para casa insatisfeitas com o Brasil - e, por extensão, com o Mercosul - porque não conseguiram antecipar a criação do Livre Comércio nas Américas. O Brasil e o Mercosul saíram fortalecidos nessa disputa, sinalizando que estão abertos para negociar com todos os parceiros do mundo, principalmente com os europeus e asiáticos. Mas essa batalha comercial, que os americanos levam tão a sério - pois o que está em jogo é o lucro nos negócios -, já está tendo outros desdobramentos.
Alcançar os Andes
Sem perspectivas de fechar com o Mercosul, os Estados Unidos estão acelerando o processo de incorporação do Chile ao Nafta, que inclui ainda Canadá e México. Além de ser um importante entreposto comercial para os Estados Unidos em relação ao Mercosul, o Chile seria o primeiro parceiro da América do Sul no Nafta, entre outros países que os americanos têm interesse em conquistar. A política é essa: se o amplo tratato de livre comércio atrasa, o jeito é levar o maior número de parceiros para um acordo paralelo e assim manter a influência econômica na região. Sem perda de tempo, o Secretário de Comércio, William Daley, faz uma visita de três dias ao Chile para preparar o caminho. Enquanto isso, internamente, o presidente Bill Clinton tenta obter do Congresso a permissão para agilizar a entrada de outros países no Nafta. É aí que mora o perigo: o Brasil e o Mercosul devem endurecer o jogo da negociação, mas sem correr o risco de cair no isolamento.
Samba e ceveja
Não será por falta de divulgação que a Rio Cristal, a cerveja produzida pela Antarctica para os Estados Unidos, terá dificuldade de entrar no novo mercado. Distribuída pela gigante Anheuser-Busch (produtora da Budweiser), a Rio Cristal já chegou no horário nobre da TV americana. Em tudo a cerveja lembra o Brasil: no rótulo, além dos pinguins da Antarctica, a estilização lembra a bandeira do Brasil e o Carnaval do Rio de Janeiro. Para vender o ritmo bem brasileiro e atrair os milhares de latinos, responsáveis pelo caliente consumo de cervejas importadas no sul da Flórida, até um grupo de samba com mulatas, vestidas a rigor, foi contratado por um ano para divulgar a Rio Cristal em pontos estratégicos.
Trabalho globalizado
Ainda é cedo para prever como ficará a relação patrão-empregado diante de um mundo com a economia globalizada, mas alguns passos rumo a esse futuro já estão sendo dados. O recente acordo firmado entre a Força Sindical e três sindicatos patronais de São Paulo para a criação da semana de 30 horas não deixa de ser uma alternativa. Aqui nos Estados Unidos (onde os salários são bem maiores), os trabalhadores ganham por hora e recebem semanalmente. Mas um detalhe: os direitos trabalhistas são mínimos (sem 13º salário, férias reduzidas vinculadas aos anos de trabalho e nenhum fundo de garantia). A hora e a vez do trabalhador é quando ele prova que foi injustiçado ou discriminado. A indenização pode ser milionária.





