A revista The Economist defendeu, em editorial intitulado ''O fim'', a adoção de um sistema cambial flutuante na Argentina e disse que as mudanças necessárias no país requerem decisões difíceis de serem tomadas, mas que não podem ser mais evitadas. ''Isso traz a pergunta final: será que o senhor De la Rúa e o senhor Cavallo podem mudar o rumo? Se eles não podem, a Argentina pode precisar de um novo governo'', disse The Economist. A revista criticou as medidas de controle bancário implementadas pelo governo argentino, considerando-as inúteis e ainda mais danosas. ''Um default da dívida é inevitável e será legalmente confuso.''
Ao analisar o futuro do sistema cambial, The Economist disse que o dólar não é ''a moeda certa'' para a Argentina. Apenas 11% das exportações do país vão para os Estados Unidos. Além disso, embora o total das exportações continue crescendo, ele permanece muito pequeno em relação à dívida do país. ''A dolarização não resolveria os problemas de comércio externo da Argentina'' e não geraria crescimento ou restauraria o valor do crédito do país. A dolarização obrigaria a Argentina a continuar tentando ajustar o seu câmbio real através da deflação, penalizando ainda mais o setor privado.
Segundo a revista, alguns economistas defendem uma desvalorização seguida pela dolarização. ''Mas melhor do que esse híbrido seria flutuar a moeda.'' Essa decisão, observou The Economist, poderia causar uma desvalorização violenta, inflação e uma onda de falências afetando bancos, empresas e a população. Por isso, o governo argentino teria que adotar medidas prévias para dividir os custos entres os devedores e credores. ''Mas pelo menos isso abriria a perspectiva de uma retomada de crescimento no médio prazo.''

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