Liber Paz, professor de Design na UTFPR, cita como termômetro desse interesse no Brasil os prêmios voltados para HQs e as atividades acadêmicas relacionadas ao tema, como cursos e teses. ''No Festival Literário de Parati, tivemos o Robert Crumb, que sempre foi um nome underground dos quadrinhos e foi a grande atração do evento'', explica.
''Deve haver um círculo de umas cinco mil pessoas que se interessam por esse tipo de quadrinhos no Brasil. É um público pequeno, mas fiel. Porém, é algo que está mudando. Está havendo interesse por quadrinhos além desse público cativo. O público está se renovando e quer propostas mais ousadas. Pelo que acompanho, se esse interesse for algo passageiro, nós estamos na 'subida'. Se a própria Companhia das Letras tem um selo especializado, já começa a atrair mais consumidores e editoras para a área'', afirma o professor.
Mitie Taketani, da Itiban, aponta que na loja os títulos de quadrinhos adultos mais procurados, além dos lançamentos da Panini, são clássicos, como Neil Gaiman, Frank Miller e Will Eisner. A gerente afirma que a HQ nacional também está sendo mais valorizada por público e editoras. ''Cachalote'', de Daniel Galera e Rafael Coutinho, lançada recentemente pela Quadrinhos na Cia, está indo para a segunda edição.
''Editoras como a Conrad, a Devir e a Zarabatana já haviam sinalizado para essa valorização dos quadrinhos brasileiros. Isso depende muito do potencial da editora em viabilizar seu produto. O consumidor recebe muita informação e precisa ser bombardeado para prestar atenção'', diz Mitie.
Liber Paz cita como títulos importantes da HQ nacional lançados nos últimos anos o próprio ''Cachalote'', ''Sábado dos Meus Amores'', de Marcello Quintanilha, e ''Caixa de Areia'', de Lourenço Mutarelli. Entre os estrangeiros, ele recomenda ''Retalhos'', de Craig Thompson, editado no Brasil pela Quadrinhos na Cia. ''Esse lançamento foi uma referência de uma grande editora abraçando os quadrinhos'', argumenta o professor. (F.G.)

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