O governo de São Paulo dará o pontapé inicial do processo de privatização do Banespa no dia 5 de janeiro: nessa data, estará à disposição dos interessados o edital de licitação para contratação de uma das 2 empresas que farão a avaliação do banco. A outra será contratada pelo governo federal. O controle do Banespa (Banco do Estado de São Paulo) foi transferido para a União no dia 24 de dezembro. O banco deve ser privatizado até a metade de 98. A federalização do Banespa faz parte do acordo de renegociação da dívida de São Paulo, aprovado em novembro pelo Senado. A União recebeu 51% das ações ordinárias do banco.
Segundo a assessoria de imprensa da Secretaria da Fazenda do Estado, os interessados na avaliação do banco deverão entregar envelopes com documentos, informações técnicas e propostas no dia 19 de fevereiro. O resultado sai um mês depois.
A dívida do Estado de São Paulo, que foi renegociada, estava avaliada em R$ 55,1 bilhões nem 30 de setembro. Desse total, R$ 27,1 bilhões referiam-se a dívidas com o Banespa. A Secretaria da Fazenda estima que esse valor está hoje em R$ 24,4 bilhões. O restante inclui débito de R$ 6,4 bilhões com a Nossa Caixa e uma dívida mobiliária de R$ 21,6 bilhões.
Pelo acordo aprovado no Senado, a União assume o débito e passa a ser credora do Estado, que terá 30 anos para pagar o valor. O Banespa recebeu títulos da União no valor da dívida estadual, o que permitiu seu saneamento financeiro. Parte da dívida do Estado foi reduzida com a transferência de ativos e o compromisso da União de pagar a correção do valor ocorrida durante a negociação do acordo.
SurpresaO Banespa surpreendeu o mercado financeiro ao divulgar no final da tarde de ontem um resumo dos seus balanços de 1993 até o primeiro semestre de 97, ocupando uma única página. Segundo os dados divulgados, o banco passou a registrar resultados positivos no ano passado. Lucrou R$ 1,27 bilhão no exercício de 96 e teve lucro de R$ 939 milhões no primeiro semestre desse ano.
Em 94, o banco teve um prejuízo de R$ 418 milhões (valor atualizado pela Ufir até o final de 95) e perdeu outros R$ 44 milhões em 95 (valor sem
correção). Esse prejuízo foi a justificativa do BC (Banco Central) para a intervenção no banco. Desde então, o banco não publicava seus balanços - o de 94 foi alvo de ação judicial do ex-governador Orestes Quércia (PMDB, 1987-90), que alegava ser positivo o desempenho do banco. Quércia foi apontado pelo BC, juntamente com seu sucessor, Luiz Antonio Fleury Filho (PMDB), como os responsáveis pela quebra do banco.

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