Agência Estado
De Brasília
Esta semana é decisiva para a venda da Companhia Riograndense de Telecomunicações (CRT), o maior negócio do setor de telecomunicações no País desde a privatização do Sistema Telebrás, em julho de 1998. O edital de venda da empresa será lançado entre hoje e quarta-feira pela Telefônica e o leilão deverá ocorrer no início da próxima semana. A expectativa do mercado é que o preço mínimo da CRT chegue a mais de R$ 2 bilhões.
Pelas regras do setor de telecomunicações, a Telefônica só poderá manter o controle da CRT até o dia 4 de fevereiro, ou seja, 18 meses depois da assinatura do contrato de concessão da Telesp Participações. A operadora espanhola, que já controla a companhia telefônica de São Paulo, também é majoritária na Tele Brasil Sul (que tem 85,16% das ações da CRT), o que é vedado pelo Plano Geral de Outorgas.
Se o negócio não for fechado até o dia 4, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) já avisou à empresa espanhola que determinará uma intervenção na empresa de telefonia do Rio Grande do Sul, para garantir o cumprimento da lei e a devolução da concessão. No entender do mercado, a Telefônica está correndo contra o tempo para garantir a venda da operadora gaúcha nos próximos dias, sob o risco de não ganhar nada com o negócio.
Com a concessão retomada pela Anatel, a agência deverá colocá-la em leilão. Enquanto isso, uma discreta negociação vem sendo feita, envolvendo as três empresas que têm a possibilidade de comprar a participação da Telefônica na CRT: a Tele Centro Sul, a Sercomtel, de Londrina, e a CTBC Telecom, do grupo Algar, com sede em Uberlândia. O modelo do setor permite que apenas as empresas que já operam nas regiões Sul, Centro-Oeste e nos Estados do Acre, Rondônia e Tocantins possam adquirir a CRT.
Há algumas semanas, o data room da empresa foi aberto em Porto Alegre e já foi visitado por técnicos das três operadoras. ‘‘O plano de outorgas acaba compelindo a uma situação estranha’’, reclamou um executivo da Telefônica, que não tem como oferecer a empresa a mais interessados. Como ela é obrigada a vender, o prazo está acabando e os interessados são limitados, o desafio dos espanhóis é fazer desta venda um bom negócio.
‘‘O edital será bem simples e o leilão, com base na maior oferta, não deve ser demorado’’, afirmou o executivo. A empresa não fala em preço mínimo, mas a aposta de especialistas no setor é que ele fique bem acima dos R$ 1,857 bilhão oferecidos em 1996 (R$ 681 milhões) e em 1998 (R$ 1.176 bilhão) pelo consórcio Tele Brasil Sul, muito antes da desvalorização do real.
Das três potenciais interessadas, a Tele Centro Sul (TCS), controlada pela Italia Telecom, é a principal candidata à compra. Dos 7 milhões de aparelhos telefônicos da região de concessão da TCS, 1,678 milhões estão na CRT, cerca de 24%. Incorporar a operadora gaúcha é considerado estratégico pelos executivos da TCS.
A partir de 2002, a operadora que cumprir as metas estabelecidas pelos contratos de concessão poderá operar em todo o País. A Telefônica já avisou que este é seu objetivo. Só com a CRT, os italianos da TCS conseguirão terminais e força suficientes para enfrentar os espanhóis da Telefônica. Executivos brasileiros e italianos passaram uma semana avaliando os dados da CRT.
Ainda assim, existe a possibilidade de ocorrer surpresas no leilão. Pequenas e correndo por fora, as operadoras de Uberlândia e Londrina podem surpreender no momento do leilão. ‘‘Atualmente todo mundo procura parcerias com empresas maiores’’, disse o executivo da Telefônica. Segundo ele, não se pode afastar totalmente a possibilidade de uma operadora estrangeira, interessada em entrar no País, possa se associar a uma destas empresas locais para dar uma oferta pela CRT.

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