Edital da Vale deve sair dia 29
PUBLICAÇÃO
sábado, 18 de janeiro de 1997
Agência Estado 
BRASÍLIA - O Ministério do Planejamento mantém o cronograma de privatização da Companhia Vale do Rio Doce (CVRD), apesar da posição do presidente da empresa, José Schettino, favorável ao adiamento do leilão de venda do controle acionário da companhia. Assessores do ministro Antônio Kandir disseram ontem que o edital estabelecendo as condições do leião, incluindo o preço mínimo exigido pelo governo, poderá ser divulgado dia 29, data da próxima reunião do Conselho Nacional de Desestatização (CND), se até lá os estudos técnicos ficarem prontos.
Os técnicos do Ministério afirmaram que a proposta de Schettino de adiar o leilão por três meses não faz sentido, pois o prazo é insuficiente para dimensionar totalmente as novas jazidas minerais descobertas pela empresa na região de Carajás, sul do Pará. Para os técnicos, o governo não terá prejuízo ao vender a Vale sem que as reservas sejam avaliadas porque o edital vai prever a participação da União nos resultados de exploração de jazidas futuras. Essa garantia será dada por uma debênture especial a ser emitida pelo grupo que assumir o controle da estatal.
Se o edital for mesmo divulgado no final deste mês (há a possibilidade de uma reunião extraodinária do CND em fevereiro apenas para tratar do assunto), o leilão de privatização da Vale poderá ser feito no final de março ou início de abril. Nesse leilão, o governo vai vender entre 40 e 45% das ações ordinárias (com direito a voto) da companhia. Numa segunda etapa os empregados da empresa poderão comprar outros 10% do capital votante da Vale. Pelo cronograma imaginado pelo governo, o restante das ações ordinárias seria vendido através de uma oferta pública no Brasil e no Exterior, com a colocação dos papéis nas principais bolsas de valores de todo o mundo.
Edital prevê
participação
da União nas
jazidas
O governo tem razões políticas para manter o cronograma de privatização da Vale. Segundo o Ministério do Planejamento, um eventual atraso do leilão da estatal provocaria desconfiança entre os investidores internacionais sobre a real disposição do governo em seguir com o Programa Nacional de Desestatização (PND). A Vale do Rio Doce é, nesse momento, a principal estrela do programa.
O preço mínimo da Vale do Rio Doce deverá ser definido na próxima reunião do Consellho Nacional de Desestatização (CND), no final de janeiro, conforme informou o vice-presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), José Pio Borges. Ele admite que o valor da companhia para o leilão de privatização poderá ser alterado de acordo com os resultados da reavaliação da Mineral Resources Development Inc (MRDI) - empresa que faz parte do consórcio vencedor reponsável pela modelagem de venda da Vale e especializada em avaliação geológica.


