Pela segunda vez em menos de uma semana, o governo do Estado decidiu adiar a publicação do edital de venda da Companhia Paranaense de Energia (Copel) prevista para ser feita hoje. A determinação foi tomada no final da tarde pelo governador Jaime Lerner (PFL) que passou horas reunido com os secretários José Cid Campêlo Filho (Governo), Alceni Guerra (Casa Civil) e Ingo Hubert (Fazenda e presidente da Copel). A versão oficial é de que a transferência da data se deu por causa da demora da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) em aprovar o edital.
Os diretores da Aneel estiveram reunidos ontem, em Brasília, para tratar de assuntos ligados ao setor. Na pauta estava o caso da Copel, segundo informou ontem a assessoria de imprensa da agência. O edital só pode ser publicado depois da aprovação da Aneel, que faz uma análise para saber se o processo de venda atende às exigências da desregulamentação do setor energético. Até o fechamento da edição, não havia um posicionamento da Aneel sobre a companhia paranaense.
O governo do Estado estima que hoje receba o aval da Aneel, o que permitirá publicar o edital. Mas devido ao final de semana, a intenção é tornar público o documento somente na próxima quinta-feira, dia 6. A data limite é 16 de setembro, ou seja, 45 dias antes do leilão marcado para 31 de outubro.
Uma das indefinições ontem ainda era o local onde será feita a venda. O governador tem intenção de acatar a sugestão de fazer o leilão na Bolsa de Valores do Rio de Janeiro, escapando de protestos de manifestantes contrários à privatização. O desgaste político seria evitado, avaliam alguns secretários.
A privatização da Copel já atraiu o interesse dos grupos estrangeiros Endesa (Espanha), Tractbel (Bélgica), Hydro Quebec (Canadá), AES (Estados Unidos), EDF (França) e RWE (Alemanha).
A única empresa brasileira oficialmente interessada até agora é a Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), que comprou o direito de visitar o 'data-room' (sala com informações estratégicas e confidenciais da estatal). A Lei das Privatizações proíbe que uma estatal adquira outra, por isso a Cemig pode comprar a Copel se estiver como sócia minoritária de um consórcio.

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