Editais de chamamento aproximam ideias inovadoras do poder público
Em Londrina, convênios já foram firmados nas áreas de esporte, saúde e turismo; Maringá zerou fila de castração com aplicativo
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 12 de novembro de 2019
Em Londrina, convênios já foram firmados nas áreas de esporte, saúde e turismo; Maringá zerou fila de castração com aplicativo
Mie Francine Chiba - Grupo Folha 
Testar e validar um produto ou serviço antes de colocá-lo no mercado é uma necessidade que nem sempre as startups conseguem suprir com facilidade. Quando o produto ou serviço envolve o poder público, as dificuldades podem ser ainda maiores. De olho nessa necessidade, as prefeituras têm publicado editais de chamamento de soluções inovadoras, que permitem que as startups utilizem os recursos do poder público para testar e validar seus projetos e ajudem a trazer soluções para problemas do município. Frequentemente, as startups acabam cedendo a solução para a prefeitura, que acaba se tornando uma “vitrine” para o produto ou serviço inovador.

O edital foi lançado em Londrina em janeiro desse ano, e dele já saíram três convênios para a solução de problemas nas áreas de esportes, saúde e turismo. Outros dois já foram protocolados. Na área de esportes, o fundador do Sport Training System, Antônio Carlos Gomes, ressalta que o convênio cria um “case” para o produto e ajuda a alimentá-lo com dados relevantes sobre a prática de esportes em Londrina para testar e validar o sistema. O Sport Training System é um sistema de gerenciamento esportivo. Por meio dele, a administração pública pode ter acesso a um banco de dados com informações importantes sobre os atletas e a estrutura física esportiva de Londrina com o fim de melhorar a gestão do esporte na cidade.
Segundo Sandro dos Santos, assessor de Esportes e Eventos da FEL (Fundação de Esportes de Londrina), este ano já foi feita uma primeira avaliação dos participantes das atividades da Fundação, que incluem grupos de corrida e iniciação aos esportes, por exemplo, com a aferição de peso e altura. No início do ano que vem, será feita uma segunda avaliação para observar a evolução dos participantes.
Huander Tironi, cofundador e CTO da Tars, em Londrina, também considera o convênio com a prefeitura firmado a partir do edital um “case” para que a sua API possa chegara a outros municípios. “Entendemos que se (a API) funciona aqui, vira um case para testar em outros municípios.” Com vistas no edital publicado pela Prefeitura de Londrina, a Tars desenvolveu um componente a ser integrado ao sistema das UPAs (Unidades de Pronto Atendimento) do município que visa dar mais transparência ao atendimento na saúde. Com a API, o painel de atendimento das unidades passará a exibir informações como o andamento da fila de atendimento e quais médicos estão atendendo no dia. A solução não tem fins lucrativos. “Queremos criar esse projeto para ajudar no desenvolvimento da cidade. O objetivo é participar do ecossistema (de inovação de Londrina)”, diz Tironi.
O Edital de Chamamento Público nº 002/2018, para Apresentação de Soluções Inovadoras da Prefeitura de Londrina foi publicado em dezembro do ano passado. Por meio do edital, a prefeitura abre a administração pública para testes de soluções inovadoras desenvolvidas por empresas londrinenses, sem repasse financeiro.
As soluções são levadas à prefeitura somente em caráter de teste, por um ano, prorrogável por mais um. O edital é válido por período indeterminado, e os proponentes podem protocolar seus projetos a qualquer momento.
“O edital é uma das políticas que o município tem para contribuir com o ecossistema. Abrir a infraestrutura do município para testes é bom não só para as empresas, mas também para o poder público”, diz Renata Queiroz, gerente de Projetos da Codel (Instituto de Desenvolvimento de Londrina). “A inovação tem o objetivo de melhorar os seus serviços e quem recebe de volta é a população. E com o Marco Legal das Startups, uma das possibilidades que se tem é de contratar as soluções sem passar pelo processo de licitação.”
APLICATIVOS ACOMPANHAM ATENDIMENTO EM SERVIÇOS DE MARINGÁ
Os editais de chamamento público para apresentação de soluções inovadoras de Maringá surgiram com a Lei Municipal de Inovação (nº 10.407/2017). Neles, a prefeitura apresenta suas “dores” e qualquer pessoa física (acima de 16 anos) ou jurídica pode se apresentar uma solução para o problema.
O período de teste é de um ano e meio, e resulta em um atestado de capacidade técnica, que mostra que a sua solução está qualificada para aquilo a que se propôs. “Se a pessoa tem o atestado, comprova que está um passo à frente de outros concorrentes”, destaca o diretor de Inovação e Tecnologia da Seide (Secretaria de Inovação e Desenvolvimento Econômico de Maringá), César Rael.

Inspirado por uma das demandas da Prefeitura de Maringá, Marcos Paliari criou um aplicativo que agiliza o processo de pedido de castração de animais. Por meio do app, batizado de Petis, o cidadão pode fazer o pedido e acompanhar o andamento da fila de pedidos. Quando a solicitação é aprovada, a data do procedimento é agendada na clínica veterinária credenciada mais próxima sem que o usuário precise sair de casa.
Segundo César Rael, o aplicativo conseguiu zerar a fila de castração, porque automatizou o processo de pedido do procedimento. O aplicativo foi cedido para uso da prefeitura. Para Paliari, o edital de chamamento o ajudou a validar a ferramenta no poder público para que a ela possa ser adotada por outros municípios que compartilham desse desafio. “Toda cidade tem esse tipo de problema.”

Guilherme Couto, fundador do Flugo, quis ajudar a Prefeitura de Maringá a resolver os problemas das filas. O aplicativo já foi adotado pela Agência do Trabalhador, e deverá ser adotada pela empresa que administra a roda gigante do Natal Encantado de Maringá. Pelo aplicativo de Couto, quem precisa ser atendido pela Agência do Trabalhador pode “entrar” na fila antes mesmo de sair de casa ou do trabalho, e dirigir-se ao local só quando a ferramenta indicar que sua vez está chegando. O usuário pode acompanhar a fila em tempo real e saber qual o tempo de espera estimado.
A ferramenta é útil para lugares que atendem o público por ordem de chegada, e já está em uso também por empresas como Unimed, Cocamar, bares, restaurantes, laboratórios e cartórios. “A prefeitura é um cliente com visibilidade”, disse o fundador do Flugo, sobre a vantagem de ter participado do edital de chamamento. (M.F.C.)


