São Paulo - Menos de uma semana após o grupo espanhol Prisa-Santillana ter adquirido 75% da Editora Objetiva, um novo negócio agitou ontem o mercado editorial brasileiro. Desta vez, a transação envolveu duas tradicionais companhias brasileiras. O Grupo Editorial Ediouro anunciou a compra de 50% da Editora Nova Fronteira. O valor do negócio é mantido sob sigilo por questões contratuais.
A Ediouro, com sede no Rio, tem mais de 60 anos de atuação no mercado e reúne cerca de 3,5 mil títulos sob as marcas Ediouro, Agir, Relume-Dumará e Prestígio, com temas de ficção e comportamento. Fundada em 1965, a também carioca Nova Fronteira acumula mais de 2 mil títulos em seu catálogo, reunindo grandes clássicos da literatura brasileira e mundial.
''A aquisição se justifica para aproveitar os pontos fortes de ambas as empresas nas áreas comercial, de distribuição, de logística e de marketing'', afirmou o presidente da Ediouro, Jorge Carneiro.
A negociação durou cerca de dois meses. A parte adquirida pela Ediouro pertencia à D&PP, do ex-presidente do Banco Central (BC) Armínio Fraga. A outra metade da Nova Fronteira continua nas mãos da família Lacerda.
Segundo analistas, com a troca de um sócio investidor por outro que é do ramo, a Nova Fronteira sairá ganhando. É que a Nova Fronteira não tem parque industrial, uma vantagem competitiva da Ediouro. Além disso, um dos principais custos de produção do mercado editorial, que é o papel de impressão, poderá ser reduzido com as compras conjuntas das editoras. Também o fato de a Ediouro ter um dos melhores sistemas de distribuição do País deve contribuir para o fortalecimento das companhias.
A Nova Fronteira informa que as duas empresas manterão independência na área editorial no que se refere às suas marcas, catálogos e estruturas. ''O principal objetivo é o melhor aproveitamento de oportunidades na edição de livros'', informa o comunicado da empresa.
Na opinião do presidente da Câmara Brasileira do Livro (CBL), Oswaldo Siciliano, as recentes transações entre empresas do setor editorial são positivas e só irão fortalecer as companhias. ''Sem capital, não é possível se desenvolver num país onde o juro é algo estarrecedor.''
Analistas do mercado editorial dizem que a tendência de consolidação das empresas do setor é mundial e que agora está desembarcando no Brasil.

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