Ecossistema brasileiro de startups se mobiliza por Brumadinho


Mie Francine ChibaReportagem Local
Mie Francine ChibaReportagem Local

Nesse fim de semana, começaram a pipocar nos grupos do WhatsApp mensagens pedindo mobilização de startups de todo o Brasil em torno da tragédia de Brumadinho. Uma das mensagens pedia: "Estamos solicitando a mobilização de todo o ecossistema de Inovação Aberta para apoiar imediatamente no caso da Barragem de Brumadinho em MG". Em seguida, listava algumas áreas de demanda, como tecnologia para análise de imagens de satélite de alta resolução e tecnologia de aquisição de imagens com raio-X, laser, infra-vermelho ou qualquer tecnologia que pudesse apoiar na varredura do local em busca de vítimas. A orientação era que os interessados de reunissem em um grupo criado no WhatsApp.

A ABDI (Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial) também fez uma convocação pelas redes sociais, chamando startups com soluções de reconhecimento via drones, mapeamento de solo, logística para alimentos, doações para ajudar Brumadinho. A divulgação diz: "A ABDI convoca todas as startups e empresas que possam ajudar com sua tecnologia para minimizar a tragédia em Brumadinho. (?) Vamos somar esforços para ajudar o município, via tecnologia, em um momento extremamente sensível como esse." Os interessados em ajudar devem enviar um e-mail à ABDI pelo endereço [email protected]

"Nesse momento, é fundamental mobilizarmos tecnologias e inteligência para atuar com agilidade em cooperação com as autoridades e equipes técnicas no local da tragédia, auxiliando nas buscas e, posteriormente, no trabalho de reconstrução das áreas atingidas", disse Guto Ferreira, presidente da ABDI, em matéria divulgada pela agência.

O movimento não tem nenhuma liderança específica, mas já conseguiu bons resultados. O WeWork, espaço de coworking, em Botafogo, no Rio de Janeiro, está lotado de profissionais das mais diversas áreas de atuação trabalhando em soluções para ajudar, principalmente, na localização de vítimas da tragédia. Há também pessoas em Brumadinho, trabalhando junto à Defesa Civil de Minas Gerais. É o que conta Alexandre Mosquim, um dos voluntários que está no local, de São Paulo. Ele trabalha com Inovação Aberta.

De tanta gente querendo ajudar, Mosquim afirma que estava disparando nas redes mensagens agradecendo o apoio, mas afirmando que, por enquanto, o movimento já tem tudo o que precisa no momento. Uma dessas redes é o OpenInnovation, grupo que reúne empresários de todo o Brasil envolvidas com Inovação Aberta. "Nossa maior dificuldade está sendo não organizar a demanda, mas a quantidade de pessoas querendo ajudar."

Segundo Mosquim, é difícil contabilizar o número de pessoas que estão mobilizadas no Rio e em Minas Gerais. Há pessoas de todo o Brasil mobilizadas e, com certeza, há paranaenses nos locais, afirma o voluntário. São programadores, especialistas convocados para processar informações e fazer simulações a fim de estimar a localização de vítimas, usando inclusive o sinal de telefonia.

O presidente da ABDI, Guto Ferreira, e o coordenador de Inovação da Agência, Rodrigo Rodrigues, estiveram nesta segunda-feira (28) em Belo Horizonte para articular junto ao governo de Minas Gerais e à Vale e descobrir como as startups podem ajudar o governo e a cidade de Brumadinho. Na ocasião, a delegação da ABDI apresentaria as soluções que mais de 160 startups enviaram à instituição como resposta ao seu apelo nos diversos canais de divulgação.

Uma delas foi a BirminD, de São Paulo, que estava convocando nas redes sociais profissionais e outras empresas de base tecnológica para ajudar a criar uma solução para estimar a localização de vítimas a partir do fluxo de rejeitos e do último sinal do GPS emitida pelo celular da pessoa. "Com essa informação queremos estimar, levando em conta o arrasto da lama, onde a pessoa possa estar", explicou Diego Oliveira, um dos fundadores da BirminD, para a ABDI.

O desenvolvimento do aplicativo começou no domingo (27), e uma primeira versão do aplicativo já ficou pronta nesta segunda-feira (28) de madrugada. Mas precisa de melhorias. Por isso, o código foi disponibilizado de forma aberta, na internet, na plataforma GitHub (github.com/dieegom/brumadinho_location), para que mais pessoas possam aprimorá-la. Em mensagem disseminada nas redes, a equipe pedia a ajuda de alguém que pudesse aprimorar o cálculo matemático do deslocamento do rejeito.

DESABAFO
Em desabafo nas redes sociais, o presidente da ABDI, Guto Rocha, lamentou a falta de apoio às startups brasileiras. "Em que pese os incríveis apoios que temos recebido, sobretudo do povo de Israel, não podemos, em um cenário de outra tragedia (sic) esperar um avião cruzar oceanos para nos ajudar. E aí entram as startups e tecnologias que JÁ TEMOS !!!!! No BRASIL!!!!. (sic) Algumas delas que inclusive já tinham sido oferecidas a grandes empresas de mineração mas foram ignoradas por serem apresentadas por "garotos". Eh (sic) por isso que convocamos o ecossistema de startups a colaborar. Porque a inovação senhores, deve ser um dos pilares centrais do desenvolvimento do estado brasileiro. E ela já está fortalecida por estes "garotos" que já "arrebentam" em ciência de dados, drones, mapeamento e movimentação de solo entre outras coisas. Vendem para o exterior mas não podem ser aproveitados por gigantes nacionais por pura falta de visão."

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