Se a valorização do dólar torna a indústria nacional mais competitiva no exterior, há o lado negativo de fazer com que o brasileiro pague mais caro por produtos importados. O efeito direto é na corrosão da renda do trabalhador, que já sofre com uma inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 6,83% no acumulado de janeiro a julho e de 9,56% em 12 meses.
A professora de economia Maria de Fátima Sales, da Universidade Estadual de Londrina (UEL), diz que boa parte dos insumos da indústria brasileira são importados, o que também impacta diretamente no preço dos bens nacionais. "A crise reduziu o consumo e o empresário não repassa todo o custo para o produto, mas não poderá represar por muito tempo. Em um segundo momento, isso causará inflação."
Entretanto, o economista Eugenio Stefanelo, da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), afirma que não havia outra saída para o País. "A taxa de equilíbrio para o câmbio hoje seria de R$ 3,60 a 3,80 por dólar", diz. "Vai reduzir o poder aquisitivo do brasileiro em dólar, mas é algo pelo que tínhamos de passar", completa. (F.G.)

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