Brasília - Os economistas do governo consideram outras hipóteses, mas de maior grau de dificuldade para implementação: a revisão da meta de inflação, por exemplo, vem sendo intransigentemente defendida pelo líder do governo no Senado, Aloizio Mercadante (PT-SP) e encontra defensores no Executivo. Uma meta menos rigorosa do que os 5,1% perseguidos pelo Banco Central permitiria um alívio na taxa de juros. Na equipe econômica, porém, a idéia não agrada. ''O governo não pode mudar a meta agora porque estará sinalizando para o mercado que está sendo leniente com a inflação'', diz um integrante.
Pode-se, ainda, conter a inflação por meio da exigência de que os bancos deixem menor volume de crédito em disponibilidade no mercado, o chamado recolhimento compulsório. Atualmente, já é elevado o nível de exigência desses recursos que, obrigatoriamente, devem ser repassados ao Banco Central em vez ir para o mercado. Portanto, sua eficácia seria praticamente nenhuma.
No meio de um cenário tão diverso, a melhor opção, segundo técnicos do governo, continua sendo elevar as taxas de juros. ''A política de juros altos incomoda, mas é a que faz efeito'', afirma um deles. O fato é que esse efeito está demorando um pouco mas os economistas do governo ponderam que, em breve, a inflação dará sinais de queda.
Os mais conservadores defendem o aumento da meta do superávit primário (a economia que o governo faz ao cortar suas despesas). ''Um aperto fiscal mais rigoroso ajudaria a reduzir as expectativas de inflação e provocaria uma queda do risco Brasil'', disse uma fonte.
Outra preocupação deve ser os gastos com programas sociais de auxílio às pessoas de mais baixa renda, que se transformam imediatamente em consumo. (AE)

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