Economistas preveem redução do deficit em transações correntes
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sábado, 21 de maio de 2011
Agência Brasil 
Brasília - A economia aquecida e o dólar em baixa fazem com que mais turistas brasileiros visitem outros países e as empresas importem mais produtos, remetam mais dinheiro para fora do Brasil e usem mais serviços de transportes e aluguel de equipamentos no exterior. Esse cenário faz com que as transações correntes, registro de trocas de bens, rendas e serviços do Brasil com o exterior, tenha um resultado negativo maior.
"À medida que a economia brasileira cresce de forma permanente, a tendência é importar mais, porque você tem que dar suporte a esse crescimento. Seja na forma de máquinas e equipamentos ou em serviços importados", diz o professor da Fundação Getulio Vargas (FGV) Rogério Sobreira.
De janeiro a março deste ano, o deficit em transações correntes ficou em U$S 14,631 bilhões, contra US$ 11,949 bilhões registrados em igual período de 2010, segundo dados do Banco Central (BC). Em todo o ano passado, o saldo negativo foi de R$ 47,365 bilhões, o que representou 2,27% de tudo o que o país produz Produto Interno Bruto (PIB). A previsão do mercado financeiro e do Banco Central é que, neste ano, o déficit fique em R$ 60 bilhões ou 2,56% do PIB.
Apesar dessa elevação, especialistas acreditam que o déficit em transações correntes, registro de trocas de bens, rendas e serviços do Brasil com o exterior, deve se estabilizar nos próximos anos, e não gera maiores preocupações.
Para o economista Bráulio Borges, da LCA Consultores, o deficit deve ficar entre 2,5% e 3% do PIB, soma de todas as riquezas produzidas no País, em média, nos próximos quatro anos. "Como proporção do PIB, o deficit está se estabilizando desde meados de 2010. É uma dinâmica um pouco diferente da que a gente viu depois da crise (financeira internacional) quando esse deficit como proporção do PIB aumentou rapidamente", afirma.
O Brasil chegou a registrar superavit em transações correntes de 2003 a 2007, mas a partir de 2008 (déficit de 1,71% do PIB) passou a apresentar resultados negativos. Em 2009, o déficit foi de 1,52%, subindo para 2,27% do PIB no ano passado.
Segundo Borges, a estabilidade no déficit para os próximos anos é esperada porque a economia brasileira (PIB) não deve mais crescer acima da média do mundo, como ocorreu no ano passado.


