Economistas prevêem recessão no Brasil
PUBLICAÇÃO
sábado, 12 de setembro de 1998
Agência Folha 
O Brasil experimentou duas grandes crises nos últimos 20 anos, no início das décadas de 80 e de 90. Para a maioria dos economistas, o País está às portas de uma nova fase recessiva. Há um mês e meio, nós prevíamos crescimento de 3% para o Brasil em 1999, diz o economista Newton Rosa, da consultoria MCM. Com o agravamento da crise, mudamos as projeções para uma queda entre 1% e 3% do PIB em 1999, completa. No ano que vem, deverá haver recessão, com maior inadimplência e desemprego, diz Jaime Soares, economista do banco Patente.
Assim como ocorreu em 1982, o Brasil está acompanhado por seus vizinhos latino-americanos na crise. Desde maio, o peso mexicano perdeu 25% de seu valor. A Argentina, que crescia 5% ao ano, talvez se dê por satisfeita se não tiver um índice negativo em 98.
Brasil, Argentina e México seguiram, nos dois períodos, modelos semelhantes de desenvolvimento econômico. Até o início da década de 80, os três países apostavam no fechamento da economia e na política de substituição dos produtos importados para promover seu crescimento.
O sistema se exauriu e levou os países à quebradeira em 1982. Desde então, mudaram de rota, adotando uma receita parecida: abriram suas economias para o comércio e as finanças internacionais, além de combater a inflação supervalorizando o câmbio.
Em 1994, o México não resistiu e deixou a barragem cambial estourar, o que provocou uma queda de 6% no PIB em 1995. Brasil e Argentina insistiram no modelo, que agora está em xeque, com a saída maciça de capitais para o exterior.
Há um perigo inerente nos câmbios fixos como instrumento de estabilização. A experiência demonstra que tende a provocar sobrevalorização do tipo real de câmbio e a perda de competitividade no exterior , escreve Sebastián Edwards, ex-economista-chefe do Banco Mundial, no livro Crise e Reforma na América Latina .


