Depois de aproveitar toda a facilidade que o cartão de crédito oferecia e, por consequência, ter que lidar com uma dívida difícil de quitar, a dona de casa Luzineire Porfio Martinez decidiu, junto com o marido, literalmente cortar o dinheiro de plástico e adotar o uso de planilhas para controlar os gastos.
Mesmo assim, quando passou ontem pelo Calçadão de Londrina, ela fez questão de pegar uma cartilha do Conselho Regional de Economia do Paraná (Corecon-PR), que foi distribuída durante o evento "EnTENDA de Economia". "Peguei para me certificar de que estamos fazendo tudo certo e ver se tem alguma outra informação interessante. A gente coloca no computador o que entra e sai e procuramos comprar só o que é importante e em dinheiro", afirma.
Luzineire foi uma das diversas pessoas que receberam orientação durante o evento realizado em várias cidades do Estado pelo Corecon, em conjunto com professores e estudantes da área. O trabalho foi feito em comemoração ao dia do economista.
De acordo com o chefe do departamento de Economia da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Azenil Stavinski, o foco da ação foi alertar os consumidores sobre a importância do consumo consciente, principalmente no que diz respeito ao crédito. "Estamos em uma trajetória de expansão, com situação monetária da população estável e oferta de crédito muito grande. Mas o desconhecimento financeiro é muito alto e vemos muitas pessoas se perdendo. Hoje (ontem) mesmo falei com uma senhora que tinha oito empréstimos", destaca Stavinski. Apesar de oferecer um risco à saúde financeira de quem não consegue administrar os gastos, o crédito pode ser bem aproveitado se houver o planejamento adequado, ressalta o economista.
Para quem já está endividado, o próprio financiamento também pode ser a saída. "Se a pessoa ainda tem acesso a crédito pode analisar as opções e optar por uma com juros mais baixos. Pagar cheque especial e cartão de crédito devem ser as prioridades."
São pendências como essas que tiram o sossego do técnico de segurança do trabalho, Donizete Andrade, que também recebeu orientações do "EnTENDA de Economia". "Eu não tenho muito controle e depois que você pega empréstimo ou usa cartão de crédito é difícil quitar. Agora vou ver como a cartilha pode me ajudar nesse sentido."
As orientações no Calçadão ontem não se limitaram apenas a dívidas. A professora aposentada Wilma Schmeiske Pascoal aproveitou a presença dos economistas para esclarecer dúvidas sobre a melhor forma de investir em um imóvel. "Eu estou planejando comprar um imóvel para a minha filha e perguntei se vale mais a pena comprar por meio de um consórcio ou guardar o dinheiro. Mas me deram uma dica interessante, de dar entrada em um apartamento na planta e depois, quando valorizar, vender e comprar outro melhor. A gente tem que pensar no futuro, nosso e dos filhos."
Falando em filhos, Azenil Stavinski ainda destaca outro ponto forte da campanha do Corecon, a educação financeira infantil que, segundo o economista, não tem uma idade mínima para começar a ser aplicada. "A partir do momento em que a criança sabe que gosta de algo e quer ter aquilo comprado, já é interessante mostrar que custa dinheiro e da dificuldade em obtê-lo. O mais importante é ter em mente que a educação financeira é um processo familiar."

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