SÃO PAULO - A economia mantém um nível de atividade alto neste primeiro bimestre de 1997. Ainda não existem indicadores definitivos, mas economistas e consultores estimam que a economia funciona em um nível entre 5% e 6,5% superior ao mesmo período do ano passado. Embora este nível seja próximo ao alcançado no final de 1996, o que indica que não ocorreu desaceleração espontânea do consumo, ganha força entre os economistas a avaliação de que o governo vai ‘‘empurrar com a barriga’’ a decisão de adotar medidas para conter as vendas.
Os dados do Produto Interno Bruto (PIB) e da atividade industrial do final de 1996 e início de 1997 ainda não estão disponíveis. Por isso, três indicadores estão sendo olhados com mais atenção: balança comercial, inadimplência e vendas a prazo e telecheque. ‘‘Até agora nenhum indicador aponta redução de atividade ou pode ser encarado como notícia ruim’’, diz Bernardo Gouthier Macedo, da LCA Consultores. Em janeiro, as consultas ao Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) cresceram 54% e a inadimplência subiu 44% sobre o mesmo período do ano passado.
Flávio Nolasco, da MA Consultores, diz que o Produto Interno Bruto (PIB) do segundo semestre deve encerrar com crescimento de 6% a 6,5% sobre o mesmo período do ano passado e na indústria a alta pode chegar a 8,5%. Esse ritmo de crescimento implica em importações anualizadas de até US$ 59 bilhões e déficit na balança comercial de US$ 8 bilhões a US$ 10 bilhões no ano. ‘‘Com estas condições, o governo ainda não altera a política econômica para frear a atividade’’, observa Nolasco.
Macedo, da LCA Consultores, lembra que ‘‘há divergências na equipe econômica, mas a tendência natural é o governo empurrar com a barriga a decisão de conter o consumo’’. Apesar desta avaliação, a LCA projeta uma taxa de 4% para o crescimento do PIB no ano de 1997, o que implica encerrar dezembro de 1997 com alta de apenas 2% sobre o mesmo mês de 1996. ‘‘Encerrar o ano com 4% embute uma desacelaração, pois a economia não vai passar sozinha de uma taxa de 6% a 7% para os 2% do final do ano’’, pondera.
Marcelo Allain, economista-chefe do banco BMC, avalia que a economia já está funcionando em um ritmo um pouco mais fraco, cerca de 5% sobre o mesmo período de 1996.

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