Economistas esperam aumento do desemprego
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sexta-feira, 11 de setembro de 1998
Israel Reinstein 
A queda no desenvolvimento do setor produtivo (indústria e comércio) será o maior impacto da elevação da Taxa de Assistência do Banco Central (TBan), promovida anteontem pelo governo federal. Para os economistas do Conselho Regional de Economia do Paraná (Coren-PR), a decisão da equipe econômica foi acertada, porque serviu para estancar a hemorragia de evasão de dólares. Mas deve provocar aumento na inadimplência e também desemprego, causando forte recessão. Na opinião dos economistas, o Brasil é a bola da vez frente ao ataque especulativo internacional.
Com a elevação da TBan, o presidente do Coren, Luiz Eduardo da Veiga Sebastiani, diz que custos dos empréstimos ao consumidor vão subir. Antes da medida do governo, a taxa de juros para o comerciante estava em 19% ao ano, com repasse ao consumidor de 130%. Agora fica difícil de prever como vai se comportar as taxas, diz. Da mesma forma, o índice cobrado pelo desconto de duplicata deverá saldar dos atuais 60% ao ano. Por isso, o consumidor não teve realizar compras a prestação, devendo guardar o seu rico dinheiro na poupança, diz.
Essa retração do consumidor, na opinião do conselheiro do Coren-PR, Luiz Antônio Fayet, vai resultar diminuição dos pedidos do comércio a indústria. Os pedidos para o fim do ano vão ser em menor volume, aposta.
Fayet afirma que medida da equipe econômica, apesar de correta, chegou atrasada já que os sintomas de uma crise de confiabilidade eram previstos desde as crises mexicana e asiática. Fayet entende que o governo preteriu a realização das reformas estruturais pela mudança política. Com isso, a credibilidade para honrar com o pagamento de dívidas ficou afetada para os olhos dos investidores internacionais e nacionais. As fugas de capital não estão sendo feitas apenas pela velhinha de Minnesota, mas emrpesas e bancos nacionais e multinacionais, afirma o economista José Moraes Netto, professor da UFPR e ex-presidente do Coren.
Para o economista do Ipardes, Gilmar Loureiro, que também é conselheiro do Coren, a alta da TBan mostara fragilidade da política econômica do governo. A manutenção da inflação de 2% vem sendo sustentada por duas âncoras - a cambial e monetária -, que aumentam o desemprego e o desequilíbrio na balança comercial, comenta. De 1995 até este ano, a taxa de desemprego subiu de 4,6% para 8,2%. Já balança comercial saiu de um déficit de US$ 3,3 bilhões, em 95, para US$ 8,7 bilhões, no ano passado. O desemprego deve aumentar, bem como a diferença do saldo cambial, isso se o governo não se proteger das importações, afirma Loureiro.


