Para o economista e professor da Pontifícia Universidade Católica (PUC)/Londrina Márcio Massaro, é preciso aumentar os juros agora. "Tem de controlar já a inflação porque, se deixar para fazer isso lá na frente, fica mais difícil e caro", afirma. Ele diz que o governo vem tomando medidas artificiais para segurar os preços, como a redução da energia elétrica e a desoneração da cesta básica, mas vai chegar a hora que não haverá mais cortes possíveis de serem feitos.
Massaro afirma ser natural que o governo Dilma, após um ano de PIB de 1%, esteja mais preocupado com o crescimento. Ele diz que a mensagem que a presidente quis passar na quarta-feira foi de que o controle da inflação ficará em segundo plano. "Na minha opinião está havendo um descolamento entre o que precisa ser feito e o que o governo quer para fazer o País crescer", declara.
Opinião parecida tem Wanderlei Sereia, economista e professor da Universidade Estadual de Londrina (UEL). Para ele, Dilma fere a autonomia do Banco Central. "Acho que ela não quis dizer que a inflação fica em segundo plano, mas foi o que transpareceu. A presidente sinalizou que a política monetária não será executada na sua plenitude", declara.
Também economista e professor universitário da PUC, Charles Vezozzo pensa diferente. Ele acredita que o governo vem cumprindo seu papel na tentativa de equilibrar crescimento econômico com inflação baixa. Segundo o economista, "às vezes, o mercado faz leituras" equivocadas do que as autoridades falam. "A presidente é firme em seus posicionamentos. Não vejo em suas declarações qualquer indício de descuido em relação à inflação", declara. Para ele, o Brasil tem uma "cultura de inflação" e não se acaba com ela por decreto.
Vezozzo diz que é grande o desafio de fazer o Pais crescer e segurar os preços ao mesmo tempo. E que o crescimento não virá se o governo não investir pesado em infraestrutura e educação. "A China não era nada há 20 anos. Só chegou onde chegou porque investiu nessas áreas."

mockup