Os economistas não se cansam de recomendar moderação nos gastos aos trabalhadores que acabaram de receber a segunda parcela do 13º salário. Mas nessa época do ano, é impossível não consumir, ainda que com cautela. Por isso, eles dão algumas dicas para quem ainda vai às compras nessa reta final para o Natal. O economista e matemático José Dutra Vieira Sobrinho diz, por exemplo, que é preciso cuidado com as compras por impulso com o cartão de crédito e o pagamento com cheque pré-datado tanto em lojas, postos de gasolina ou supermercados.
O juro do cartão na rolagem de dívidas e no atraso de pagamento é salgado, lembra. Varia de 7,5% a 12,60% ao mês. No caso de cheque pré-datado, há o risco de o documento vir a ser depositado antes do prazo combinado e de a operação estar embutindo taxas de juros de até 8,5% ao mês, diz Carlos Daniel Coradi, da Engenheiros Financeiros Consultoria.
Outra sugestão: pergunte sempre ao vendedor se há desconto no pagamento à vista. Se a loja oferece um produto à vista pelo mesmo preço em três ou quatro vezes, pechinche desconto. Se não houver abatimento, pague a prazo. Mas, se a loja oferecer 2% de desconto à vista, por exemplo, aceite, porque isso significa que no parcelamento em três vezes sem acréscimo está embutida uma taxa de juros de 2,05% ao mês, calcula Dutra Sobrinho.
Também não compre em loja que não informa a taxa de juros cobrada no crediário ou no pagamento com cheque pré-datado. Se a loja informar o juro, procure confirmar a taxa (siga as dicas da tabela nesta página).
Nunca esqueça de pedir nota fiscal ou comprovante de compra. Sem esses documentos, não será possível reclamar depois de eventual problema com o produto adquirido. Pelo Código de Defesa do Consumidor, o prazo é de 30 dias para fazer reclamação de problemas em produtos não-duráveis e de 90 dias em itens duráveis. O prazo é contado a partir da constatação do defeito.
Nas compras fora do estabelecimento comercial (por telefone, em domicílio, telemarketing e catálogo), exija comprovante do prazo de entrega.
Uma última recomendação - e a mais importante: o consumidor deve fazer e refazer as contas do orçamento antes de sair às compras de Natal. Com o 13º, deve liquidar dívidas no cheque especial e no cartão de crédito, com prioridade, ou, se não for esse o caso, guardar o abono. É preciso lembrar das despesas adicionais em janeiro, com vencimento de IPVA, IPTU e gastos com material escolar.
José Dutra Vieira Sobrinho diz que é sempre mais vantajoso poupar o valor que seria pago de prestação e comprar à vista depois do que entrar direto em crediário. Assim, o consumidor poderá juntar o dinheiro em prazo menor que o do financiamento e, ainda, obter desconto no pagamento à vista.

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