A economista Eliana Cardoso, da Fundação Getúlio Vargas (FGV) de São Paulo, tem sido uma das maiores críticas do que chama de ''política de remendo, na qual o ministro da Fazenda acredita que a forma de aumentar os investimentos é a desoneração de alguns setores ou de algumas atividades''. Para ela, ''a forma de lidar com o problema da carga tributária alta é a desoneração horizontal''.
Os economistas Claudio Haddad, presidente do Ibmec São Paulo e Eliana notam que isenções tributárias não criam mais investimentos em termos totais, apenas deslocam recursos de um setor para outro. ''Essa política de distribuir favores é extremamente perigosa, porque a burocracia não sabe melhor do que o empresário qual investimento traz maiores ganhos de produtividade'', diz ela. Eliana critica também o fato de que a política de isenções pontuais torna cada vez mais complicado o sistema tributário.
O ex-ministro da Fazenda, Delfim Neto, que algumas vezes é associado às políticas de incentivos setoriais do regime militar, acha que a preocupação com as iniciativas de desoneração do governo Lula é um excesso de economistas obcecados com a racionalidade. ''São todos produtos da extravagância ultra-racional que cobriu de elogios, por exemplo, a política econômica da Bolívia nos anos 80, mas que esqueceu dos índios, e acabou levando ao Evo Morales'', ele ataca.
Para Delfim, ''o grosso dos setores que foram incentivados (no regime militar) sobreviveu muito bem e ganhou vantagens comparativas''. Para ele, o País pode acelerar o crescimento para 5% se o governo apresentar um programa consistente de contenção das despesas correntes e convencer os investidores de que não haverá falta de energia nos próximos anos.(Agência Estado)

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