Mesmo parecendo que os pontos negativos superam os positivos com o aumento da taxa Selic, os especialistas entrevistados pela FOLHA não têm dúvidas de que elevar os juros básicos foi um mal necessário.
O economista da Escola Trevisan, Alcides Leite, compara a volta da inflação à uma doença grave. ''Qualquer coisa é melhor que a inflação, que afeta a todas as classes sociais. Ela é como um câncer e a ascenção da taxa Selic a quimioterapia: tem efeitos colateriais, mas é fundamental para a cura do mal''.
O professor da UEL Azenil Staviski segue a opinião de Trevisan, e diz que o Copom tomou a decisão correta, ''mesmo que o remédio seja amargo''. Entretanto, ambos os economistas comentam que este instrumento de política monetária deve vir acompanhado de um controle da política fiscal. ''O Governo deve aliar o aumento da taxa Selic a outras ações, como a redução dos tributos e das despesas públicas'', salienta Staviski .
Em âmbito mundial, o Brasil é um dos poucos países que resolveram aumentar a taxa básica de juros após a crise econômica do ano passado. Entre as nações inseridas no G-20 (maiores economias do mundo), além do Brasil, apenas Austrália e Índia agiram desta forma. Grande parte dos países ainda continua com as taxas bem reduzidas, com o objetivo de aquecer a economia e aumentar o consumo interno. (V.L.)

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