Brasília - Embora o Ministério da Fazenda avalie que o Comitê de Política Monetária (Copom) deveria no mínimo esperar até junho para iniciar um ciclo de aperto monetário, economistas do mercado que estão entre os que mais acertam projeções de inflação e juros na pesquisa Focus do Banco Central (BC) concordam com a provável elevação da Selic já na reunião desta semana.
A avaliação majoritária é que a atividade econômica está muito forte, em um ambiente de inflação em alta, e, por isso, seria justificável provocar um arrefecimento na economia para que a inflação não se desgarre da meta de 4,5%. ''A gente tem claro que existe certo exagero no ritmo de crescimento da demanda na economia, que cresce em ritmo mais forte que a oferta. Por isso, é necessária uma sintonia fina'', afirmou o economista-chefe do Banco Cooperativo Sicredi, Paulo Barcellos.
''A demanda está acima do que seria razoável e as importações não são capazes de suprir totalmente o descasamento entre oferta e demanda. É necessária uma calibragem da política monetária para equilibrar o crescimento econômico'', acrescentou. Ele ressaltou que não pode haver um choque de juros, porque causaria prejuízos à economia. Barcellos trabalha com um IPCA de 4,7% em 2008 e 4,2% em 2009, em um cenário que contempla os juros em 13% ao ano no fim deste ano.

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