Economistas céticos com promessa de corte de gastos
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domingo, 26 de dezembro de 2010
Lu Aiko Otta<br>Agência Estado 
Brasília - Dilma Rousseff começará seu governo cortando a previsão de gastos, mas sem muita pressa. ''Vai ter de contingenciar, com certeza'', disse o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, referindo-se ao Orçamento Geral da União de 2011, aprovado na noite de quarta-feira pelo Congresso Nacional. Ele evitou, porém, confirmar se será algo na casa dos R$ 20 bilhões, como se especula.
Apesar do discurso da equipe econômica de Dilma pregando a contenção de gastos, a real disposição da futura presidente em apertar o cinto causa controvérsia entre os economistas. Eles até acreditam em alguma austeridade em 2011, mas ninguém garante que a tendência será essa para os anos seguintes. ''A nossa expectativa é que o ajuste fiscal verdadeiro ficará apenas no papel'', afirmou o economista Sérgio Vale, da MB Associados.
Em 2003, início do governo de Luiz Inácio Lula da Silva, o Brasil enfrentava uma crise de confiança e por isso foi necessário fazer um ajuste duro no início do ano. Os cortes foram lineares - atingiram todos os programas de forma igual.
Dilma assume num quadro bem mais favorável e os cortes agora não podem mais ser lineares, porque é necessário preservar os programas sociais que a elegeram e os investimentos em infraestrutura. ''Isso exige um corte fiscal mais bem pensado e profundo em outros setores.'' Porém, com um ministério eminentemente político, ela terá dificuldade em eleger os setores a serem sacrificados. ''Mais ainda, a equipe econômica que foi montada está longe de ser campeã em ajuste fiscal'', observa.
Um bom indicador dessa disposição de abrir espaço para a queda dos juros é o salário mínimo. ''Havia muita pressão para elevá-lo a R$ 570, R$ 580'', observou o economista Bráulio Borges, da LCA. Agora, a tendência é que o mínimo fique em R$ 540, recebendo correção apenas pela inflação. Se isso for confirmado, será a primeira vez, em uma década e meia, que o salário mínimo não terá aumento real.
Na verdade, se insistir nos R$ 540, o governo estará até ''garfando'' uma parte do valor devido aos trabalhadores. Isso porque, se o mínimo fosse corrigido pela variação do INPC, como é a regra informalmente aplicada desde 2006, ele ficaria em R$ 543,15.


