Economistas apostam em redução de juro
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domingo, 20 de agosto de 2000
Agência Estado De São Paulo 
O mercado financeiro inicia a semana com a expectativa voltada à tendência das taxas de juros, aqui e nos Estados Unidos. O rumo do juro básico interno, de 16,50% ao ano, será decidido pelo Comitê de Política Monetária (Copom) em reunião que começa amanhã e termina na quarta-feira. A direção do juro de curto prazo norte-americano será definido pelo Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA) amanhã.
A expectativa do economista-chefe do Banco Santos, Rogério Mori, é de estabilidade dos juros nos EUA, em 6,50% ao ano, e de continuidade de queda da taxa doméstica, possivelmente para 16%. Segundo ele, nos EUA a tendência é que o Fed mantenha o juro onde está, apesar de alguns sinais de desaceleração da economia, e permaneça observando os próximos indicadores econômicos. O fantasma de um choque dos juros por lá está afastado.
A inflação interna, embora ligeiramente superior à estimada, não deve ser obstáculo ao corte na taxa primária. Existe espaço para o recuo dos juros porque a inflação mais alta, além de momentânea, não influencia a trajetória futura e, portanto, a meta de inflação, referência para a administração da política monetária. Em sua avaliação, o juro pode fechar o ano em torno de 15%.
A perspectiva de tendência declinante dos juros em cenário pontilhado de fatores positivos, como inflação sob controle, contas públicas razoavelmente equilibradas, economia e oferta de emprego em expansão, pode dar um pouco mais de vigor ao mercado de ações, comenta Mori. A reclassificação de risco da dívida externa, em estudo pela Moodys, é outro fator positivo. A possível redução do risco Brasil, se materializada, deverá estimular maior ingresso de capitais e a captação de recursos por custos mais baixos. A Bolsa pode ser um investimento interessante neste momento. Na renda fixa, os fundos de renda fixa carregados de títulos prefixados de prazos mais longos podem oferecer ainda ganhos relativamente atraentes ao investidor.
O economista-chefe do Banco Santos destaca que o cenário internacional também está mais favorável. Dois fatores externos, a incerteza com a economia argentina e a alta dos preços do petróleo, podem provocar ainda alguma perturbação no mercado doméstico, mas não são grande fonte de preocupação. Segundo ele, não existe risco de descontrole do preço do petróleo e a Argentina deverá pedir revisão de metas ao Fundo Monetário Internacional (FMI), se não apresentar suficiente melhora fiscal.
Uma alta exagerada da cotação do petróleo poderia pressionar a inflação e barrar o recuo dos juros enquanto uma turbulência na Argentina poderia influenciar negativamente o mercado financeiro interno.


