Economistas ressaltaram que o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu abaixo das expectativas: a maioria das projeções projetava crescimento de 1,2%, ante resultado de 0,8% no segundo trimestre. Ainda assim, o número de ontem mostrou que a economia brasileira apresentou números muito positivos, principalmente no setor industrial. Para alguns especialistas, o resultado reforça as expectativas de que o Comitê de Política Monetária pare o ciclo de corte dos juros básicos, hoje em 11,25% ao ano.
''Tudo aquilo que nas contas nacionais tem a ver com a demanda contemporânea e ciclo econômico foi ótimo: basicamente todo o grupo industrial (crescimento de 6,8% sobre 2006) e o grupo de serviços (5,8%), quando excluído a Administração Pública'', afirma Fernando Montero, economista-chefe da corretora de valores e câmbio Convenção.
Montero destacou que o crescimento de somente 0,8% no segundo trimestre pode ser atribuído ao desempenho do setor agrícola (0,2%) e da administração pública (1,6%). ''Embora seu peso seja pequeno (no cálculo do PIB), a expectativa era de alta forte'', afirma o economista, em relação ao produto agrícola. Para a equipe de analistas do banco Real, o resultado do PIB vai ser ''mais um fator que deverá contribuir para que o Banco Central reforce sua postura cautelosa e mantenha a taxa básica de juros na próxima reunião do Copom''.
Pedro Paulo Silveira, economista-chefe da corretora Gradual, também acredita que o Copom deve manter os juros na próxima reunião, mas discorda das declarações de que o atual crescimento embute pressões inflacionárias, por um suposto descompasso entre a oferta e a demanda. ''Não temos evidência nenhuma de superaquecimento (da economia). Nos casos de superaquecimento, a gente pode ver pelo lado dos salários, e até agora não vimos nenhum 'sinal vermelho'. E o setor de bens de capital vêm crescendo continuamente'', avalia o economista.

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