Imagem ilustrativa da imagem Economista vê risco de calote


Para Marcos Rambalducci, há excesso de otimismo em relação à economia. E os analistas estão esquecendo um problema crucial, que é a crise fiscal. Sem resolvê-la, na opinião do economista, os bons fundamentos atuais não vão se sustentar. E o Brasil pode quebrar até 2022. "O endividamento do governo é muito grande. Atingiu neste mês R$ 3,4 trilhões. Cresceu 1,2% num único mês", ressalta.

Rambalducci lembra que o último ano em que o Brasil gastou menos que arrecadou foi 2013, quando houve um superávit de R$ 76,9 bilhões. E que, em 2017, o governo teve de pedir autorização ao Congresso para ampliar a projeção de deficit de R$ 139 bilhões para R$ 159 bilhões. Para 2018, há um deficit previsto também em R$ 159 bilhões. Até 2020, o governo não espera nenhum superavit. "O problema é muito grave. Esses deficits vão se somar à dívida", ressalta.

Para o economista, se o governo não equacionar o endividamento, ele perde a credibilidade e precisará aumentar a taxa de juros para conseguir tomar dinheiro emprestado. "Se não resolver a questão fiscal, todo o esforço feito até agora terá sido em vão", afirma.

Na opinião de Rambalducci, um crescimento esperado de 3% no PIB de 2018, apesar de elevar a arrecadação, não alivia o problema. "Vamos pensar num crescimento maior, de 5%. Para um PIB de R$ 6 trilhões, esse aumento seria de R$ 300 bilhões. Imaginando uma carga tributária de 40%, teríamos mais R$ 120 bilhões de arrecadação", afirma. O País, portanto, fecharia o ano com deficit da mesma forma.

Para o economista, somente uma política de cortes de gastos pode salvar o País de uma situação ainda mais crítica nos próximos anos. "Tem gente que não está se dando conta da gravidade da situação. Mas, se nada for feito, o Brasil não conseguirá chegar a 2022 sem um default (calote). Não consigo encontrar a matemática que ampare um otimismo que não esteja calcado no controle do deficit", sustenta.

Sandro Silva, economista do Dieese, pensa o oposto. Quanto mais o governo corta gasto, mais a economia se enfraquece. Segundo ele, sempre que o País apresenta crescimento, o aumento da arrecadação proporcionalmente é bem maior que o do PIB. "Historicamente, o Estado é importante para garantir o crescimento da economia. Se ele gasta menos, a economia também cresce menos."

Silva considera a questão fiscal "relativa". "Tem economista que acredita que se o Estado acertar suas contas, o País volta a crescer automaticamente. Não é assim. O Estado sempre foi o indutor do crescimento", argumenta.

Maria de Fátima Miranda, presidente do Corecon, concorda com Silva. "Não é só resolver a crise fiscal para os investimentos voltarem. Isso não é verdade. Com medidas duras de corte de gastos, o governo afasta investimentos. Sou keynesiana (adepta da teoria de John Maynard Keynes). Acredito no papel do Estado para promover o desenvolvimento. E governo fragilizado como está não consegue", critica.

O economista da Fiep, Roberto Zurcher, discorda. Para ele, o deficit do governo central é um dos principais empecilhos para o crescimento econômico sustentável. "Enquanto não tivermos medidas para fazer sobrar dinheiro em caixa e promover investimentos, dificilmente a economia vai crescer a taxas maiores."

O professor Simão Silber, da USP, diz que a dívida atual do governo central é de 75% do PIB. E que, em 2021, quando se espera o primeiro superavit, ela estará em 90%. (N.B.)

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