Economista vê questão política em avaliação
O professor de economia Fabiano Dalto, da Universidade Federal do Paraná (UFPR), é crítico em relação ao peso dado ao rebaixamento da nota do Brasil em agências de risco, por considerar que o efeito é muito mais político do que de redução do fluxo de capitais. "Entre 1995 e 2002, a nota era três vezes pior e isso não impediu a entrada de investimentos na época", diz.
Para ele, a pressão deve fazer com que o governo corte mais gastos, mesmo os obrigatórios, como se ficasse refém das agências. "Avaliaram que a política de cortes gerou recessão, o governo aprofunda essa política e tudo piora ainda mais", considera Dalto.
O economista afirma que há uma queda no comércio exterior, pela deterioração da situação internacional, representada por China, Estados Unidos e Zona do Euro, muito mais do que risco de calote por parte do governo. "Apenas 12% do nosso PIB são exportações e isso não vai salvar a economia, mas sim a situação interna."
Por isso, pede mais de investimentos em infraestrutura e no setor produtivo. Ele acredita que desemperrar obras como as do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e criar novos planos de investimentos trariam resultados melhores, pois elevaria a arrecadação. "O governo diminuiria o impacto no emprego e na renda, que é o mais importante, e construiria condições para desenvolvimento futuro", sugere, ao prever que a crise ainda vai longe. (F.G.)





