O economista Paulo Rabello de Castro aponta uma ‘‘contradição insuperável’’ na situação das contas públicas brasileiras: o Estado está expandindo seus gastos enquanto o PIB cresce a níveis insatisfatórios e corre o risco de diminuir no próximo ano. Estados e municípios devem gastar menos, segundo Castro.
‘‘Estamos voltando para o PIB de partida do Plano Real’’, diz. O PIB é a
soma de todas as riquezas produzidas pelo país. Ao mesmo tempo em que o PIB diminui, ou não cresce, aumenta o percentual dele que é apropriado pelo Estado. Essa é a ‘‘contradição insuperável’’.
Rabello de Castro levantou o PIB de cada um dos últimos anos, converteu-o em dólar e deflacionou seu valor para preços de 1993, ano anterior ao da introdução do real. Com isso, é possível comparar os indicadores a preços correntes.
Pelas contas do economista, o PIB de 1994 foi de US$ 529 bilhões. O de
1997, US$ 739 bilhões. Para 1998, ele prevê um PIB de US$ 704 bilhões, que diminuiria para US$ 600 bilhões no ano 2000.
Estimativas do governo brasileiro, em reais, indicam um crescimento de
0,7% do PIB em 1998, que ficaria em torno de R$ 905 bilhões. No próximo
ano, o indicador deve diminuir cerca de 1%.
Em 1999, a relação entre o PIB e os gastos governamentais deve ficar ainda mais ‘‘indigesta’’, diz Rabello de Castro.
O economista acredita que o ajuste fiscal proposto pelo governo elevará a carga tributária do próximo ano para cerca de 32% do PIB. O déficit público cairá para 4,7% do PIB, se for cumprida a meta ajustada com o Fundo Monetário Internacional. Com esses números, o percentual do PIB abocanhado pelo Estado subirá para 36,7%.
Investimentos Apesar de aumentar seus gastos, a administração pública brasileira tem investido cada vez menos em infra-estrutura e na compra de máquinas e equipamentos. Os gastos públicos com a construção de obras, por exemplo, representavam 14,09% do PIB em 1994. No ano passado, o percentual havia caído para 9,36%.
Houve queda semelhante em relação a máquinas e equipamentos. Há quatro
anos, a administração pública gastava o equivalente a 3,31% do PIB com o setor. Em 1997, o índice foi de 1,94%.
‘‘Os números mostram que o governo está investindo cada vez menos’’, afirma Gélio Bazoni, gerente de bens e serviços do Departamento de Contas
Nacionais do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Segundo Bazoni, os números sobre os investimentos da administração pública não incluem as empresas estatais. Isso significa que a redução dos valores não pode ser explicada pelo processo de privatização, que tirou das mãos do Estados empresas como a Vale do Rio Doce e o Sistema Telebrás.

mockup