Economista propõe novo índice
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quarta-feira, 29 de janeiro de 2003
Agência Estado 
Rio - O governo deveria negociar com empresas, principalmente de energia e de telefonia, o fim do uso de Índices Gerais de Preços (IGPs) como indexadores, além de deixar de usar o Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI) para as estimativas do Orçamento. Esta é a opinião do consultor e integrante do Conselho Consultivo do Sistema de Índices de Preços do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE ), Ricardo Braule Pinto.
''Os IGPs como indexadores são péssimos. Acho que o governo tem argumentos para mudar o indexador dos contratos e fazer a empresa que tem contrato indexado entender que eventualmente ela está ganhando, mas se o dólar cair ela pode perder. Acho que o governo tem espaço para mudar isso'', afirmou.
A instabilidade do IGP-DI foi o motivo usado pelo secretário de Política Econômica, Marcos Lisboa, para justificar a decisão do governo de refazer as estimativas do Orçamento com outro índice mais estável, ainda não divulgado, em vez do IGP-DI.
De acordo com Braule Pinto, o tipo de índice mais estável e, por isso, mais indicado para funcionar como indexador é o que mede preços ao consumidor, como o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), do IBGE. ''Acho que o governo, que já usa o IPCA para as metas de inflação, deveria usar o IPCA também como indexador, inclusive nos contratos'', disse Braule.
Para o coordenador de Análises Econômicas do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Salomão Quadros, a decisão de utilizar os IGPs para indexar contratos ou preços administrados é uma decisão de política econômica. Ele considera que precisão dos índices não precisa ser posta em dúvida.
''A presença dos IGPs como forma de indexar contratos só mostra que é um índice confiável e tradicional no mercado. Se o governo e empresas decidirem não mais usá-lo como indexador, eu não tenho nada a dizer sobre isso. O governo que arque com as consequências'', diz Quadros.


