Economista prevê ingovernabilidade
PUBLICAÇÃO
sábado, 03 de outubro de 1998
Marccio W. Varella 
O professor de Economia da Universidade de Brasília (UnB) Dércio Garcia Munhoz disse ontem em Maringá que o Brasil corre o risco da ingovernabilidade política e social devido à sua política econômica. O FMI pode obrigar o Brasil, através da concessão de empréstimo financeiro, a entrar numa recessão, aumentando o desemprego e reduzindo a renda nacional. Pela primeira vez no pós-guerra se fará isto num país que está com a economia parada, com o desemprego alto e com a renda deprimida, o que é um risco institucional muito grande de as autoridades não terem condições de governabilidade, disse ele.
Ex-presidente do Conselho Federal de Economia e com mestrado na Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas da USP, Munhoz fez palestra na sexta-feira para alunos do curso de especialização em Desenvolvimento Econômico da Universidade Estadual de Maringá (UEM).
Segundo ele, 25% da capacidade industrial do Brasil está paralisada, o que significa um investimento de US$ 250 bilhões que está enferrujando por falta de produção. Isto quer dizer que não estão investindo internamente. O que está havendo são empresas estrangeiras comprando nacionais, inclusive estatais. E as multinacionais - continua o professor - não estão investindo no Brasil, pois na maioria dos casos realizam empréstimos externos de curto prazo para efetuar essas compras.
Ele disse que o mundo hoje tem um grande problema financeiro, mas o nosso é muito maior porque lá fora os países desenvolvidos não têm juros tão altos e nem dívida externa como a nossa. Por isso, devemos tomar muito cuidado e não podemos esquecer que em 1994 o México quebrou um dia depois das eleições, o que certamente não foi nenhuma coincidência. Basta observar as denúncias de fraudes eleitorais naquele país.
O professor Munhoz explicou que globalização econômica não é novidade nenhuma: A globalização existe há séculos, desde o Renascimento, dos tempos das grandes descobertas, quando o comércio se expandiu, nasceu com o mercantilismo. Mas a globalização financeira tomou forma a partir da década de 60 deste século, quando os bancos passaram a emprestar dinheiro aos governos.
A crise da globalização financeira no Brasil começou, segundo Munhoz, quando os bancos interromperam os financiamentos e deram início à especulação, na década de 80. Em 1992, lembrou ele, um ministro da Fazenda liberal liberou as barreiras ao capital especulativo e a despesa em dólar ficou maior do que a receita. A abertura dos portos feita pelo Collor liquidou a economia do País.


