O professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Fabiano Dalto, é uma voz dissonante entre os economistas. Ele critica não só o modelo heterodoxo adotado pela presidente Dilma Rousseff no primeiro mandato, mas também o atual, considerado ortodoxo. "Na minha expectativa só vai piorar", afirma. Em vez de cortar gastos, para ele, o governo deveria aumentá-los.
De acordo com Dalto, uma das diferenças da política econômica dos governos do presidente Lula e do primeiro mandato de Dilma foi na forma de se fazer investimentos. No primeiro caso, o próprio Estado investiu em projetos como o Minha Casa Minha Vida, assim como outros do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC). Já a presidente, segundo ele, "equivocadamente" transferiu a responsabilidade pelos investimentos para a iniciativa privada. "O governo deu incentivos para os empresários investirem e fez concessões, mas o setor privado não fez esses investimentos", critica.
Dalto ressalta que, apesar de os economistas criticarem o governo Dilma por ter aumentado os gastos públicos, não é isso que ocorreu. "Quando se observa a relação gastos públicos com o PIB, você vê que proporcionalmente não houve aumento de gastos", declara.
Deixar de gastar, para ele, é um equívoco do governo. "Quando o governo deixa de gastar isso tem um efeito enorme sobre a economia e sobre a renda. E o PIB cai mais rápido que a própria redução de gastos", afirma. Dalto diz que a sociedade, nas manifestações de junho de 2013, pediu o aumento de investimentos do governo, o que não ocorreu.
De acordo com o economista, a presidente teria condições de continuar fazendo investimentos para alavancar a economia mesmo com a Operação Lava Jato que levou empreiteiros à cadeia e paralisou projetos do Minha Casa Minha Vida e da Petrobras. "Poderia investir em outras áreas."
O corte geral de gastos promovido pelo ministro Joaquim Levy, da Fazenda, é um agravante na opinião dele. "Teve um efeito cascata muito grande. O governo parou de gastar, estados e municípios ficaram sem arrecadar, aumentaram impostos, piorando a situação." (N.B.)

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