Economista pede política para criação de emprego
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sexta-feira, 02 de maio de 2003
José Ramos<br> Agência Estado 
Brasília - A economista Maria Conceição Tavares defendeu ontem a implantação de uma política de investimento para criação de emprego e renda. ''Vou tentar discutir com a cúpula do Ministério (do Trabalho)'', disse a economista, pouco antes de iniciar uma palestra sobre o assunto para o ministro Jaques Wagner e assessores.
A professora argumenta que o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), por si só, não cria os empregos necessários nem mesmo para absorver a nova mão-de obra que surge no mercado do trabalho. Ela disse que o País ainda vive um momento de desequilíbrio que já era previsível em função do ''freio de arrumação'' que a nova equipe econômica fez.
''É claro que, quando você faz um 'freio de arrumação' num país que parece um caminhão desgovernado, sai gente de tudo quanto é lado, ou então dá trombada; não deu trombada, mas deu desarrumação.'' Conceição Tavares reclamou do fato de o debate sobre a situação no País estar muito voltado, neste momento, para a política macroeconômica, principalmente para o comportamento dos juros e do câmbio. E defendeu a discussão do desenvolvimento econômico e geração de renda e emprego, ''assunto que, neste país, virou agenda morta''.
Neste momento de ajuste, disse, há setores que estão em recessão e outros em expansão. Segundo ela, uma das áreas onde o investimento poderia aumentar a absorção de mão-de-obra é a indústria naval. ''Se reativar (essa indústria), cria 10 mil empregos diretos, fora os indiretos'', estimou. Segundo ela, os setores siderúrgicos e de construção civil também são áreas que mereceriam uma ação mais efetiva do governo.
Citou também a boa safra de soja obtida neste ano graças a subsídios concedidos aos compradores de máquinas agrícolas aproveitando-se um momento de safra ruim nos Estados Unidos. Para a economista, também é necessário planejar melhor o escoamento da safra.
''Precisa de caminhões, de infra-estrutura para transportar a soja, senão fica lá no Mato Grosso apodrecendo.'' Ela afirmou que somente a qualificação profissional não resolve o problema do desemprego. Mencionou, como exemplo, o grande número de engenheiros desempregados por causa da paralisação das obras da construção civil e também de serviços de infra-estrutura, como as barragens. Conceição cobrou o aumento da oferta de crédito - que está em apenas 22% do PIB e já foi de 33%.


