Para o economista Paulo Brene, da Universidade Estadual de Londrina (UEL), a primeira coisa a fazer, em uma situação como a do Antônio, é envolver a família. ''Todos precisam saber do que está acontecendo, e se dispor a colaborar'', diz Brene. A segunda providência é em relação à organização da dívida. ''Quando envolve vários credores, serão taxas de juros e prazos diferentes. O ideal é tentar mudar o perfil da dívida, unindo tudo numa conta só; em vez de dever para 10 pessoas, dever para apenas uma. Aí fica mais fácil organizar prazos e juros'', aponta.
Esta solução é ideal quando a dívida não é muito grande. Em casos como o de Antônio, o problema é levantar o montante total. ''Quem ganha em torno de cino salários mínimos, como ele, tem capacidade para levantar, no máximo, uns 10 mil reais'', analisa Brener. A possibilidade de hipotecar a casa também não conta: ''Existe uma lei que impede que os bancos usem a casa como garantia se ela é o único bem imóvel do devedor'', explica.
O conselho de Brene é drástico: ''Num caso como esse, o melhor é vender o imóvel. Com o resultado da venda, ele paga totalmente a dívida e aí sobram duas opções: pode alugar uma casa ou financiar outra residência'', diz. As duas alternativas custariam mais barato que as parcelas mensais da dívida. ''Um bom aluguel pode ser conseguido por 400 ou 500 reais; se sobrar dinheiro da venda da casa, ele pode dar entrada e financiar um imóvel de R$ 90 mil, que vai ter prestações de 600 reais por mês, aproximadamente'', contabiliza.
Apesar de dolorosa, essa solução tem uma vantagem: ''Com dinheiro na mão, a pessoa pode negociar e conseguir um bom desconto para a dívida'', pondera Brener, que faz ainda um alerta: ''Quem está numa situação como essa tem que decidir rápido. Daqui a pouco, nem vendendo a casa ele consegue pagar a dívida''.
A outra sugestão dada a Antonio, de decretar falência, serviria apenas como uma possibilidade de renegociar a dívida: ''As pessoas precisam entender que a insolvência não vai ser uma solução definitiva, e que essa decisão também é difícil e constrangedora, principalmente quando a dívida envolve amigos e parentes''
Finalmente, Brener aponta a necessidade de aproveitar a experiência para não voltar a cair no mesmo 'buraco'. Para o economista, o planejamento familiar pode evitar muitas dores de cabeça. ''Fazer um orçamento e aprender a viver com o dinheiro do salário são coisas que todos nós deveríamos fazer. Parece simples, mas não é. A sociedade vive de expectativas e as pessoas vão se acostumando a gastar o que ainda não têm. Lembrar de somar as contas no papel traz a gente de volta à realidade'', ensina.(P.F.)

mockup