Economista diz que País está no caminho certo
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 22 de agosto de 2001
Maigue Gueths<BR>De Curitiba 
O economista Edmar Lisboa Bacha, consultor do Banco BBA e presidente da Associação Nacional de Bancos de Investimentos (Anbib) se mostrou otimista, ontem, com os reflexos que as medidas econômicas tomadas na última terça-feira, nos Estados Unidos e Argentina, devem trazer para a economia brasileira.
As medidas a que ele se refere são a redução da taxa básica de juros para 3,5% pelo Federal Reserve (o Fed, banco central dos EUA), e a aprovação pela diretoria executiva do Fundo Monetário Internacional (FMI) de um novo pacote de ajuda à Argentina. Em troca, o país se comprometeu a cortar gastos de US$ 657 milhões anuais, como parte do plano de déficit fiscal 0%.
''As duas decisões vêm reforçar nossas projeções de que o dólar deve cair fechando o ano em R$ 2,40 e que a taxa de juros deve permanecer em 19%'', disse. O economista esteve em Curitiba para dar uma palestra aos clientes do Banco BBA da Região Sul sobre as perspectivas econômicas no País.
Para Bacha que integrou a equipe econômica responsável pelo Plano Real entre 1993 e 95 , as medidas anunciadas dão novo fôlego ao governo brasileiro. O ministro da Economia, Pedro Malan, passa a sofrer menos pressão para que desvalorize o real, assim como o Banco Central também poderá afrouxar sua política de juros altos praticada nos últimos cinco meses.
''A solução para a dívida da Argentina é boa porque nos dá chance de nos diferenciar. Ou seja, nós não vamos ser forçados a reenquadrar nossa dívida'', disse. Bacha fez um paralelo com a crise do México, em 1992, que acabou afetando também o Brasil e Argentina. ''Com isso, ficamos anos e anos sem acesso ao mercado internacional, com a situação só se recuperando a partir de 95.''
Apostando na queda da inflação com previsão de fechar em 6% este ano e 5% em 2002 e na redução do câmbio com a cotação do dólar passando para R$ 2,40 até o final do ano e chegando a R$ 2,45 em 2002, Bacha também acredita que a economia deve ter um incremento de 2% em 2002. ''Claro que temos que contar com as surpresas, porque teremos eleições e não dá para prever o que vai acontecer.'' Um dos fatores de risco atuais para o Brasil, segundo ele, é o déficit elevado. O País necessita, hoje, de US$ 61,4 bilhões em financiamentos externos para arcar com suas despesas. Já a dívida externa alcança a casa dos US$ 241,1 bilhões.
Bacha ressaltou, entretanto, que apóia a política econômica e o acordo fechado entre o Brasil e FMI, o qual previa repasse imediato de US$ 5 bilhões, e de outros US$ 3, caso o País alcance suas metas. ''O que o governo está fazendo é sábio. Com esse acordo e a política do Banco Central, o governo garante recursos até o ano que vem, sem risco de quebrar.'' Dizendo-se surpreso com a rapidez, volume e condições do acordo fechado pelo governo, Bacha brincou: ''No fundo, o Brasil salvou o FMI, que estava com a reputação péssima depois da crise da Ásia e especialmente da Rússia, e quando todo mundo apostava que o Brasil também estava indo para o vinagre, o País acabou conseguindo aumentar seus resultados.''


