O economista Antonio Barros de Castro, professor do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e ex-presidente do BNDES, entende que a fase em que as indústrias brasileiras levaram vantagem copiando produtos está prestes a se esgotar. No 13º Fórum Nacional, Castro propôs uma ‘‘inflexão estratégica’’: as indústrias devem trabalhar mais com P&D (pesquisa e desenvolvimento), design e marca. Devem produzir mais, oferecendo menos atrativos ao consumidor por um preço menor.
‘‘Para a economia, essa opção ‘‘pega na veia’: as empresas nadarão de costas no mercado externo. Essa opção vale para o mercado externo e para a sociedade, porque as empresas poderão pagar salários mais altos.’’ ‘‘Até agora, as indústrias brasileiras avançaram copiando. Elas reproduziam produtos, processos de produção, e tiveram grande êxito na cópia’’, diz Castro.
‘‘Mas estamos pressentindo, já há algum tempo, que essa fase está se esgotando. A competição vai ficando cada vez mais dura, inclusive no mercado interno, generalizam-se as novas técnicas. Então, repetir o que já se sabe fazer vai ficando menos decisivo na competição’’, diz o economista.
‘‘Não ignoro que diversas empresas brasileiras já estão fazendo a inflexão há algum tempo. Infelizmente, a política econômica, industrial e tecnológica no Brasil só agora começa a suspeitar desta possibilidade. Isso não é percebido como uma questão central.’’
Segundo Castro, ‘‘as empresas brasileiras entraram nos anos 90 produzindo carroças caras’’. Houve dois movimentos, avaliou. Nos primeiros anos da década, fizeram cortes, ‘‘houve cirurgia e reorganização’’.
Com a estabilização do Plano Real, houve o barateamento da importação e a expansão da demanda. Em um primeiro momento, conseguiram colocar produtos atualizados a preços competitivos no mercado doméstico, porque o mercado externo estava saturado.

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