Economista diz que indústria precisa criar
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 16 de maio de 2001
Agência Folha Do Rio de Janeiro 
O economista Antonio Barros de Castro, professor do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e ex-presidente do BNDES, entende que a fase em que as indústrias brasileiras levaram vantagem copiando produtos está prestes a se esgotar. No 13º Fórum Nacional, Castro propôs uma inflexão estratégica: as indústrias devem trabalhar mais com P&D (pesquisa e desenvolvimento), design e marca. Devem produzir mais, oferecendo menos atrativos ao consumidor por um preço menor.
Para a economia, essa opção pega na veia: as empresas nadarão de costas no mercado externo. Essa opção vale para o mercado externo e para a sociedade, porque as empresas poderão pagar salários mais altos. Até agora, as indústrias brasileiras avançaram copiando. Elas reproduziam produtos, processos de produção, e tiveram grande êxito na cópia, diz Castro.
Mas estamos pressentindo, já há algum tempo, que essa fase está se esgotando. A competição vai ficando cada vez mais dura, inclusive no mercado interno, generalizam-se as novas técnicas. Então, repetir o que já se sabe fazer vai ficando menos decisivo na competição, diz o economista.
Não ignoro que diversas empresas brasileiras já estão fazendo a inflexão há algum tempo. Infelizmente, a política econômica, industrial e tecnológica no Brasil só agora começa a suspeitar desta possibilidade. Isso não é percebido como uma questão central.
Segundo Castro, as empresas brasileiras entraram nos anos 90 produzindo carroças caras. Houve dois movimentos, avaliou. Nos primeiros anos da década, fizeram cortes, houve cirurgia e reorganização.
Com a estabilização do Plano Real, houve o barateamento da importação e a expansão da demanda. Em um primeiro momento, conseguiram colocar produtos atualizados a preços competitivos no mercado doméstico, porque o mercado externo estava saturado.


