A falta de controle do déficit nas transações comerciais e a diferença entre a arrecadação tributária e os gastos públicos foram os dois principais fatores que contribuíram para afetar a economia do País diante da crise financeira mundial. A avaliação foi feita ontem em Curitiba pelo economista Eduardo Gianetti da Fonseca, professor de Economia da USP. Segundo Fonseca, o Brasil se tornou ‘‘vulnerável’’ aos efeitos das crises internacionais devido ao fato de não ter adotado medidas preventivas.
A desvalorização cambial era uma das ações que a equipe econômica do governo deveria ter adotado, avalia Fonseca. Mas ele ressalta que agora não é o momento de se fazer qualquer mexida no valor do Real frente ao dólar. ‘‘Se há sobrevalorização cambial, o momento certo para corrigir é quando o tempo está bom (estabilidade econômica). Agora, seria uma enorme temeridade’’, afirmou.
Fonseca e o presidente do Banco Pactual, Luiz Carlos Fernandes, participaram ontem de um seminário sobre Perspectivas para a Economia em 1998. O evento foi promovido pelo Instituto Superior de Administração (Isad). Participaram do encontro o secretário do Planejamento, Miguel Salomão, e o professor de Administração da UFPR, Belmiro Valverde Castor. Eles falaram sobre o pacote fiscal do governo e foram unânimes em defender a agilização das reformas Tributária, Previdenciária e Administrativa. ‘‘O cenário externo mostrou que precisamos aprofundar as reformas’’, defendeu Fernandes.
O presidente do banco Pactual fez uma crítica ao governo federal ao dizer que a equipe econômica tem ‘‘habilidade para as táticas econômicas, mas falta habilidade para mexer nas reformas mais profundas’’ que o País precisa. Fernandes comparou a crise atual com a crise do petróleo na década de 70. ‘‘As duas trazem características de abalos econômicos’’, afirmou. O País, que necessita atrair US$ 35 bilhões anuais para pagar seus compromissos externos, perdeu US$ 8 bilhões de suas reservas por causa da queda mundial das bolsas.
Os dois economistas defenderam ainda o pacote econômico, apesar de o avaliarem como ‘‘pesado’’ e ‘‘recessivo’’. ‘‘A consequência direta é queda na atividade econômica e desemprego’’, afirmou Eduardo Fonseca. Ele lembrou que o Brasil previa crescer 3,5% ao ano, ‘‘mas deverá ter crescimento de 1,5%’’. O quadro econômico nacional dependerá da durabilidade do pacote fiscal, que entre outras medidas, trouxe o aumento das taxas de juros.

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