Economista diz que culpa é de falta de investimentos
O economista Cid Cordeiro, que integra o Conselho Regional de Economia (Corecon) do Paraná, contesta a visão de que o Custo Unitário do Trabalho (CUT) tenha ocorrido nos últimos quatro anos devido aos reajustes salariais. Ele diz que a produtividade não cresceu proporcionalmente por falta de investimentos em tecnologia, gestão, pela queda da demanda externa e pelo câmbio, que manteve o real mais valorizado do que a indústria precisava.
Cordeiro critica que não foi citado no estudo o custo por hora trabalhada no setor no Brasil e em países como Portugal, mas apenas a variação no período. Isso porque lembra que a variação é maior quanto menor é o salário. "Na França, o CUT é de 34 euros (R$ 108,90) por hora, em Portugal, de 12,10 euros (R$ 38,76) e, no Brasil, mesmo que se considere um salário médio de R$ 2,5 mil, daria R$ 18, com encargos", diz, sobre dados de 2011 do Observatório das Desigualdades, de Portugal.
Ainda, lembra que é preciso entender o que mudou, já que, de 2004 a 2007, as curvas de custo e de produtividade agradavam o setor e, a partir da crise, passaram a ser piores. "Não houve mudança na legislação trabalhista em 2010 que justificasse isso. O que é preciso é investir em tecnologia e ter uma política cambial que favoreça as exportações. O trabalhador está lá e vai produzir de acordo com a necessidade", diz.
Por setor
Segundo o estudo da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), 13 dos 15 setores pesquisados tiveram alta no CUT. As maiores variações entre 2010 e 2014 foram na indústria têxtil (28,2%), de meios de transporte (27,7%), de alimentos e bebidas (22,0%), de borracha e plástico (19,4%) e de máquinas e equipamentos (19,1%).
Ainda ficaram acima da média metalurgia básica (15,0%) e minerais não metálicos (11,9%). Somente houve queda na indústria de coque, refino de petróleo e biocombustíveis (-0,3%) e de madeira (-18,9%). (F.G.)





