Economista descarta pressão sobre inflação
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quarta-feira, 06 de dezembro de 2000
Agência Estado De São Paulo 
O economista e professor da USP, Heron do Carmo criticou a argumentação do Banco Central, expressa na ata da reunião do Copom divulgada semana passada, de que o aumento do salário mínimo para R$ 180 poderia pressionar a inflação. Os diretores do banco colocaram este ponto entre os motivos que os levaram a não mexer nas taxas básicas de juros.
Para ele, o BC deve estar preocupado porque o IPCA do IBGE índice utilizado para acompanhar o cumprimento das metas inflacionárias calcula a remuneração das empregadas domésticas com base no salário mínimo, como se todas as empregadas domésticas do Brasil recebessem aumento quando o mínimo sobe. Com isto, o IPCA poderia ser pressionado por este item, que tem peso importante na pesquisa, e não em função do aquecimento da demanda.
Heron considerou inadmissível, caso seja mesmo este o motivo da cautela do BC, comprometer a política econômica por causa da metodologia equivocada do IBGE. Isto tudo não teria nada demais se não fosse o impacto em toda conjuntura nacional. Na sua opinião, além de o salário mínimo não ser referência para remuneração das domésticas em algumas cidades, os reajustes não são repassados automaticamente. Ele acha que caberia ao BC alertar sobre a deficiência da pesquisa e não alterar a política de juros em consequência disto.


