O economista Hermas de Melo acredita que o Brasil não precisa dobrar sua capacidade de produção de energia elétrica, como sugere o engenheiro naval Leonam dos Santos Guimarães, assistente da presidência da Eletronuclear, que falou sobre o assunto ontem na Folha. Melo concorda que o consumo de energia elétrica é um indicador de qualidade de vida, mas afirma que isto não significa necessidade de aumento na produção. Para ele, antes da expansão, o País precisa saber usar a energia elétrica de maneira adequada.
O economista visitou a usina de Angra dos Reis, há dois anos, também em uma viagem de estudos da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra, representação de Londrina. Ele considera que a energia nuclear ''ainda não é'' totalmente segura e não vê necessidade de se priorizar investimentos nesta área.
O fato de o Brasil estar entre as 10 maiores economias do mundo, mas em 90º lugar no consumo per capita de energia elétrica, para Melo, demonstra de forma clara que o modelo econômico brasileiro é concentrador de renda. ''Há 20% da população que é altamente consumidora de energia elétrica, mas em compensação a classe mais baixa consome bem menos pela falta de poder aquisitivo para se integrar à economia moderna''.
Ele comentou também a decisão do governo federal de retomar os projetos para o setor de energia, o que ficou praticamente esquecido nos últimos 15 ou 20 anos. Na opinião do economista, o País não tem necessidade de investir tanto neste setor. ''O que precisamos, é utilizar a energia elétrica de forma mais inteligente, mais racional. Se você analisar bem, a crise que o mundo enfrenta hoje não é de falta, mas uma crise de excesso, o que é uma característica do sistema capitalista''.
Melo acredita que é possível reduzir o consumo de energia, de forma consciente, sem prejuízo para a qualidade de vida. Ele lembra que a população conseguiu economizar entre 20 a 30% quando houve o apagão de energia elétrica no começo desta década. ''É preciso que se crie uma consciência de cidadania e responsabilidade do que está à disposição das pessoas, porque o consumo indevido para causar a falta para ela e para os demais no futuro. A falta de limites, neste caso, é fator de insegurança social''.
Para o economista, as indústrias também podem diminuir o consumo de energia elétrica, com maiores investimentos em tecnologia. ''Na medida em que houver uma modernização maior, você pode trabalhar com máquinas e equipamentos mais sofisticados, diminuindo, inclusive, o uso da energia humana''. E segundo ele, até mesmo a iluminação pública é um detalhe que precisa ser revisto. ''Será que precisamos de luz acesa a noite inteira nas ruas? Imagine o quanto de energia elétrica você pode direcionar para o setor produtivo, desde que haja um sistema de segurança mais avançado''.
Concluindo seu raciocínio Melo afirma que: ''O Páis precisa investir em pesquisa para descobrir novas formas de energia e, com certeza, o álcool é uma delas. Só uma coisa é certa: há energia sobrando, o problema é a má utilização'', afirma.

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