Curitiba Todas as previsões envolvendo o cenário econô
mico para 2004 traçam um quadro otimista para o Brasil. O Produto Interno Bruto (PIB) deve aumentar de 0,5% neste ano para 3,2% no próximo, a inflação de 10% em 2003 deve cair para 6,5%, e a massa salarial terá um acréscimo de 2%. Se quiser incrementar ainda mais a economia, ''o governo deve ter a coragem de reinjetar mais moeda no mercado no ano que vem'', permitindo um crescimento ainda maior dos negócios.
A opinião é do economista Paulo Rabello de Castro, consultor da SR Rating, agência brasileira de classificação de riscos de crédito, que esteve ontem em Curitiba falando para alguns dos maiores empresários da cidade sobre as perspectivas econômicas para o País. ''O que marcou este ano foi uma redução drástica da circulação monetária, que deixou a economia contraída. Ou seja, nós estamos anêmicos. Com uma transfusão de sangue até morto vai levantar'', afirmou Castro, que acredita que o governo federal deve decidir pela emissão de mais dinheiro no mercado.
Segundo Castro, o Brasil enfrenta, este ano, seu período mais sério de recessão desde 1981, quando o País ''tombou'' depois de um período que ficou conhecido como o ''milagre brasileiro''. A recessão em 2003 pode ser medida em números, como o desemprego que chegou a 10 milhões de pessoas e o nível de rendimento dos trabalhadores, que caiu 14% em relação a 2002.
Para sair deste buraco, de acordo com ele, o País conta com dois aspectos amenizadores para 2004: o crescimento do setor de agronegócios, que traz uma ''vacina anti-recessão'' em algumas regiões, como o centro-oeste e parte do Paraná; e a disposição dos Estados Unidos de se expandir, em função da crise do Oriente Médio. ''Isso tem reflexo mundial, como o aumento das exportações do Brasil.''
''A recessão não é culpa do Lula, ela foi plantada pelo governo anterior desde 2002. O Lula pegou o bonde andando, com um nível muito alto de vulnerabilidade externa'', disse, criticando a política cambial do ex-governo de Fernando Henrique Cardoso (PSDB).
O economista, conhecido nacionalmente, é um dos sócios da RC Consultores, empresa de orientação econômico-ficanceira atuante nos mercados nacional e internacional, que tem escritórios no Rio de Janeiro e São Paulo e agora também em Curitiba, além de representações técnicas em Porto Alegre, Belo Horizonte e Recife.

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