Nova York - Chegou a hora de o Brasil adotar uma atitude menos alinhada com o Fundo Monetário Internacional, divergindo da receita do FMI para colocar o mercado financeiro brasileiro de volta aos trilhos. A opinião é de Scott Grannis, economista-chefe da empresa de gestão de recursos Western Asset Management, que aplica parte da sua carteira de US$ $ 3 bilhões de fundos de mercados emergentes em títulos da dívida brasileira.
‘‘O Brasil precisa adotar medidas para estimular o crescimento, um dos fatores importantes para a dinâmica da dívida, como a redução da taxa de juros e também cortes de impostos’’, afirmou Grannis à Agência Estado. Ele acredita que o Banco Central brasileiro deveria parar de tentar administrar o câmbio via taxa de juros, tendo como pano de fundo a manutenção da meta de inflação.
‘‘É preciso fazer alguma coisa urgentemente, apesar de o risco político ter um peso forte no nervosismo atual’’, disse. ‘‘Não se pode deixar as coisas como estão neste momento porque o desfecho poderá ser muito negativo, haja vista a alta probabilidade de default que o mercado está conferindo à dívida brasileira por meio dos elevados spreads’’, comentou Grannis.
O economista acha que é necessário um choque positivo das autoridades brasileiras para restaurar o grau de confiança dos investidores estrangeiros. Apesar da preocupação com os rumos da economia brasileira, Grannis disse que a Western Asset Management não pretende reduzir suas exposição ao País neste momento. ‘‘Estamos acompanhando com atenção o desenrolar da recente turbulência, mas por enquanto pretendemos manter nossa posição no Brasil, pois acreditamos que o País está numa situação fundamentalmente diferente a que levou ao default na Argentina. O Brasil tem melhores chances do que a Argentina para evitar tal desfecho’’, afirmou.

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